Isso tem toda a cara do novo Audi A3 e-tron.
Sim - em tudo, menos no nome. Hoje a Audi guarda o selo “e-tron” para os seus elétricos puros, como o SUV e-tron e o futuro e-tron GT. Por isso, o novo Audi A3 híbrido plug-in não é o novo A3 e-tron: oficialmente, ele passa a ser o Audi A3 “40 TFSI e” (pelo menos nesta versão). Também existe o “45 TFSI e”.
Nomenclatura da Audi: o que significam 40, 45, TFSI e “e”
Vale uma explicação, porque a lógica dos nomes da Audi continua tão confusa quanto quando foi adotada, lá em 2017. Os números 40 e 45 se referem à potência: na linguagem da Audi, quanto mais forte, maior o número. Essa escala - aplicada a praticamente todos os Audi, com exceção dos S/RS e do R8 - vai de 30 a 70, em passos de cinco. “TFSI” indica motor a gasolina, e o “e” aponta a parte elétrica. Entendeu?
Especificações do Audi A3 40 TFSI e e 45 TFSI e
Por baixo, o A3 híbrido plug-in é, basicamente, o mesmo conjunto que aparece nas versões plug-in de Volkswagen Golf, Seat Leon e Skoda Octavia. Isso significa o mesmo 1,4 litro a gasolina, quatro cilindros, com 148 bhp, e um motor elétrico integrado ao câmbio automatizado de dupla embreagem com seis marchas.
No 40 TFSI e, o motor elétrico entrega 107 bhp; no total, o sistema soma 201 bhp e 258 lb ft. É exatamente o mesmo número do Seat Leon eHybrid e do Skoda Octavia iV. Já o A3 45 TFSI e, com 242 bhp, fica no mesmo patamar de Golf GTE, Cupra Leon eHybrid e Skoda Octavia iV vRS.
A aceleração de 0 a 100 km/h (0–62 mph) acontece em 7,6 s, um tempo bem honesto. Só que, aqui, a autonomia e o CO₂ acabam sendo mais importantes. Vale a pena ficar nas rodas de 17 polegadas porque, com esse conjunto, os 40 milhas (cerca de 64 km) de alcance e os 25 g/km de CO₂ fazem você pagar apenas 6% de BiK (Benefit in Kind, a tributação britânica sobre carros de empresa). No pacote S line, com rodas de 18, a conta muda: são 37 milhas (cerca de 60 km) e 29 g/km, o que leva o BiK a 10%.
Lembre que a Audi pode falar em 37 a 40 milhas, mas o resultado real depende de vários fatores - começando pelo clima. Baterias de elétricos e de híbridos plug-in não gostam de frio: eu dirigi o A3 com temperaturas abaixo de 0 °C e consegui pouco mais de 20 milhas (cerca de 32 km) por carga antes de a bateria esvaziar. Para completar 100% numa caixa de recarga residencial comum, conte por volta de quatro horas.
Ao volante: modos de condução e gestão da bateria
Como acontece com a maioria dos híbridos plug-in, o A3 tenta gastar toda a carga da bateria antes de recorrer ao motor a gasolina. Isso é ótimo para rodar perto de casa, mas, em viagens mais longas, pode ser interessante guardar uma parte da energia elétrica para usar depois. Dá para inserir a rota no sistema de navegação e deixar o carro ajudar nessa estratégia, ou fazer manualmente usando as funções Battery Hold (manter carga) e Battery Charge (recarregar).
O A3 é particularmente amigável para quem está começando nesse tipo de carro: os modos são bem explicados e fáceis de encontrar por meio de um botão físico, logo abaixo dos comandos do ar-condicionado. No Leon, por exemplo, esse mesmo menu exige várias interações na central multimídia.
No modo elétrico, como esperado, tudo fica muito silencioso. Há força suficiente para saídas rápidas no trânsito urbano e ele mantém cruzeiro até 87 mph (cerca de 140 km/h) antes de o motor a gasolina entrar em ação - embora, passando de 55 mph (aprox. 89 km/h), comece a parecer que o carro está sendo exigido demais.
Ainda no modo elétrico, o A3 só “acorda” de verdade se você afundar o acelerador: leva alguns segundos para reagir e embalar. O 1.4 não é o motor mais suave e refinado do mundo, mas ainda assim é melhor do que o 1.3 usado no híbrido plug-in do Mercedes Classe A, e aqui parece mais bem isolado do que no Leon. Porque Audi. No uso normal ele trabalha em giros baixos, e por isso costuma ficar bem discreto.
No modo híbrido, as transições entre elétrico e gasolina são suaves, sem trancos desagradáveis do câmbio ou do próprio motor. Quando a bateria acaba, o A3 continua desligando o motor a gasolina sempre que possível para poupar combustível - por exemplo, em frenagens ou ao “rolar” em desaceleração. O que o conjunto está fazendo fica muito claro graças a uma série de pequenos ícones no canto inferior esquerdo do excelente painel digital.
Conforto e rodagem: quando a calma vai embora
Parece relaxante…
Na maior parte do tempo, é mesmo. Ele serve muito bem para rodar tranquilamente, que é o tipo de uso em que híbridos plug-in costumam brilhar. Só que existe um porém.
O problema está na suspensão: com as rodas de liga leve de 18 polegadas do nosso carro de teste S line, o rodar fica duro demais. É um ponto negativo para um modelo com proposta ecológica que, no restante, é macio e refinado - e que deveria ser calmo e relaxante.
Enquanto o Golf GTE contemporâneo fazia questão de parecer um esportivo compacto, o antigo A3 e-tron tinha uma suavidade que combinava melhor com o temperamento do conjunto híbrido. Desta vez, o Audi abriu mão dessa vantagem para os Octavia e Leon plug-in, que são mais confortáveis.
A gente entende que o carro das Quatro Argolas tem um apelo que Leon e Octavia dificilmente conseguem igualar. Apesar do acerto firme demais, ele é um bom carro, com conjunto mecânico suave e um interior de qualidade e fácil de usar. Ele passa, de fato, uma sensação de produto premium. Eu provavelmente escolheria ele em vez do Classe A, mas pensaria duas vezes antes de descartar o Leon e o Octavia, que custam menos e são igualmente econômicos.
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