O que é isso, então?
Um scooter com autonomia e velocidade que lembram as de um carro elétrico. Mais ou menos. Desde que esse “carro elétrico” seja um Renault Twizy ou um Citroën Ami. Este é o Bo M, e a marca garante “o passeio mais suave e mais estável de qualquer veículo da sua categoria”.
Então, o que ele tem de novo?
Os problemas dos scooters elétricos são conhecidos: em geral são pequenos, frágeis, instáveis e fáceis de furtar. A Bo, start-up de Bristol com uma equipa que inclui gente vinda da Williams Advanced Engineering e da Jaguar Land Rover, não só criou algo maior e mais resistente, como também colocou mais inovação na receita.
O ponto central chama-se “Safesteer”, um sistema que recorre a molas de torção para estabilizar a direção e diminuir a “nervosidade” do guiador e os trancos de retorno. Há pedidos de patente em andamento para isso. Outras soluções úteis incluem um deck de apoio com material macio para reduzir vibrações, ganchos/olhais metálicos retráteis para transportar cargas ou servir de ponto seguro para cadeado, luzes dianteira e traseira (não apenas aquelas luzes fracas para “ser visto”, mas um farol de 800 lúmens), um suporte de telemóvel integrado no guiador e regeneração de travagem.
Qual é a velocidade? E até onde vai?
Ele é limitado a 35km/h (21mph) e entrega uma autonomia de 50km (31 miles) graças à bateria de 655Wh. Um motor de 1200 watt (1.6bhp em medida antiga) dá uma aceleração bem esperta. Numa tomada residencial, chega a 80 por cento de carga em menos de três horas. E há mais um número importante: £2,249 - este será o preço quando as primeiras entregas começarem em novembro.
Mas vocês já testaram?
Sim, num protótipo. O mapeamento do acelerador ainda não estava fechado e a regeneração de travagem entrava de forma brusca demais, mas, tirando isso, ele pareceu mais suave e mais “refinado” do que a maioria dos scooters elétricos que já experimentámos. Dá para rodar quilómetros e manter uma sensação bem relaxada.
É importante frisar que o Safesteer não tem nada a ver com condução “sem as mãos”, mas ajuda de verdade a tirar aquela instabilidade que muitas vezes faz o scooter parecer prestes a cuspir você para a sarjeta. Na prática, funciona como uma direção assistida variável: quanto mais você torce o guiador, mais a mola reage e oferece resistência. É um sistema auto-centrante - e funciona bem.
Espera aí, você também falou em regeneração de travagem, não falou?
Falei. O M traz travões mecânicos (manete do lado direito) e travões elétricos (manete do lado esquerdo), sendo que estes últimos ajudam a recarregar a bateria ao desacelerar ou descer ladeiras. A Bo também está a trabalhar em diferentes modos de condução, que em tese podem ajudar a maximizar a autonomia ou a libertar potência suficiente para empinar.
Quais são os pontos negativos?
Existe um grande problema - e vou falar dele à parte -, mas, para a maioria das pessoas, o principal inconveniente é que ele não dobra. É claro que isso deixa o chassis Monocurve mais rígido, porém complica o armazenamento e o transporte. Ainda mais quando se soma o peso (cerca de 22kg). Não é nada simples de manusear se você tiver de encarar um ou dois lances de escada. A Bo diz que está a desenvolver uma versão dobrável.
Scooters elétricos ainda ficam numa zona cinzenta, certo?
Exato. Hoje, para a maioria, este é o maior entrave. Bicicletas e bicicletas elétricas são reconhecidas e reguladas; scooters não são, no momento, porque a lei os trata como veículos motorizados, mas eles não têm matrícula. A compra é permitida, porém, tecnicamente, só poderiam ser usados em propriedade privada.
Ao mesmo tempo, o governo está a conduzir testes que autorizam scooters elétricos alugados (mas não os de propriedade privada) a circular em vias e ciclovias em determinadas áreas do país. Quando esses testes em andamento terminarem, é provável que a lei mude para legalizar todos os scooters.
Só que eles também passarão a ser regulados - o que tende a impor limites de velocidade máxima e/ou de potência. A expectativa é que essas novas regras entrem em vigor durante 2024.
E onde isso deixa a Bo?
Em tese - e tal como acontece com qualquer fabricante de scooters -, na beira de um grande salto de vendas entre quem se desloca diariamente em centros urbanos. O M custa bem mais do que a maioria dos rivais, mas o rodar suave e o conforto ajudam a sustentar esse posicionamento.
O design também conta. Mesmo sem dobrar por enquanto, para o padrão do segmento o M é um objeto bonito. Um desenho limpo e desejável, feito para chamar a atenção. E, com sorte, a partir do próximo ano, do tipo “certo” - não apenas da atenção de quem pode aplicar uma multa.
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