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Avaliação do Alfa Spider 2.4 turbodiesel

Carro conversível vermelho Alfa Romeo dirigido por homem em estrada sinuosa com paisagem de colinas ao fundo.

Esta avaliação foi publicada originalmente na edição 175 da revista Top Gear (2008).

É só bater o olho. Dá para perdoar praticamente qualquer defeito do Alfa Spider. O problema é que, nossa… ele entrega alguns.

Primeiros minutos com o Alfa Spider

Tudo começa promissor. Você se encaixa no banco do motorista, baixo e gostoso. Curte os detalhes caprichados da cabine: os mostradores com moldura de alumínio, o couro vermelho profundo, lindo. Aperta o botão para baixar a capota e deixar o sol de inverno - frio e bem-vindo - atingir a sua cabeça já raleando. Aí vem o susto: o mecanismo da capota arranca a capa plástica da parte traseira do arco de proteção do passageiro e a arremessa, com um estalo mecânico assustador, para dentro das entranhas do compartimento onde o teto se dobra. Pode ter sido azar pontual, mas como primeira impressão está longe do ideal.

Motor 2.4 turbodiesel: ideia boa no papel

Você dá a partida e ouve um ronco estranho, inconfundível: cara de diesel. Tem um certo fator novidade nisso e, embora alguns colegas respeitáveis da TG considerem um conversível a diesel uma heresia, eu entendo a proposta - pelo menos em teoria. Eu aceito que o tec-tec de um cinco-cilindros movido a “óleo” não entrega o mesmo prazer sonoro de um V6 cheio, por exemplo. Mas, já que você abriu mão de qualquer pose de desempenho para deixar os fios de cabelo ao vento, faz sentido abraçar a praticidade e a economia sensata de um diesel.

O detalhe é que este 2,4 litros turbodiesel não é tão prático assim. Nem tão sensato no bolso.

Consumo, peso e o sumiço das “tortas italianas”

A Alfa fala em 40mpg de consumo combinado (cerca de 14,2 km/l), mas nem com todo o meu esforço mais “pé-de-pena” na autoestrada eu consegui passar dos vinte e poucos mpg (algo na faixa de 8,9 km/l). O grande vilão aqui é o peso.

Mesmo com motor a gasolina, o Spider não é exatamente o cabrio mais leve do mundo; só que o bloco diesel mais pesado lá na frente faz o conjunto cravar impressionantes 1,660kg. Um Audi TT Roadster pesa só 1,295kg. O Mistério do Desaparecimento das Tortas Italianas enfim foi resolvido.

Dinâmica e desempenho

Como era de esperar, toda essa massa não ajuda a condução. Embora o rodar seja razoavelmente controlado, falta completamente ânimo e prontidão nas respostas do Spider de tração dianteira - e isso piora com a entrega preguiçosa de força típica deste diesel.

A arrancada de 0-62mph leva 8.4 seconds (0–100 km/h), quase dois segundos mais lenta do que a do TT 2.0 a gasolina, e o motor nunca parece “agarrar” de verdade todo aquele torque que deveria ser tão agradável. Abaixo de 2.500 rpm, o Spider trava uma batalha perdida contra o próprio peso; mais acima, a força acaba rápido demais. Resultado: você vive recortando o câmbio manual de seis marchas para achar a relação certa.

Preço, rivais e a conta que não fecha

Mesmo que você se contente em rodar de boa, em baixa rotação, vai precisar tirar um coelho da cartola no consumo para justificar o preço inicial do Spider. A versão diesel começa em £28,995 - ou seja, quatro mil libras a mais do que o TT 2.0 e até um par de mil a mais do que o Nissan 350Z, de peito estufado (que, por mais espalhafatoso que seja, nunca tentou devorar as próprias peças).

E isso antes de você marcar o opcional do belíssimo interior em couro vermelho. O que você vai marcar.

O que eu deveria recomendar (e por que não consigo)

Tudo isso é exatamente o motivo pelo qual eu deveria dizer, no meu papel de avaliador frio, de olhar duro, que no instante em que você achar que precisa de um Spider na sua vida, deve correr para o lado oposto e tomar um banho gelado demorado. Compre o TT. Compre uma casa-barco. Gaste seu dinheiro construindo um hotel de luxo no centro de Bagdá (slogan: "Férias com Pacotes Suspeitos para Toda a Família!"). É um investimento mais inteligente.

Só que tem algo que me impede de falar isso.

Beleza que compra o seu perdão

Olhe de novo para o Spider. Ele é tão bonito que desconhecidos atravessam correndo uns 90 metros de um estacionamento do Tesco numa manhã congelante só para tirar uma foto com o celular. Um carro tão bonito que dá vontade de relevar qualquer coisa.

Então, se você foi fisgado só pela aparência, não se sinta mal. Você só é fraco. Eu também.

Veredito: Mais defeituoso do que um diamante de liquidação do Poundstretcher, mas você não liga para isso, liga?

2.4-litre 5cyl turbodiesel
200bhp, FWD
0-62mph in 8.4secs, max speed 142mph
1,660kg
£28,995

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