Nossa, isso parece bem intenso.
Sim. Este é o Alpine A110R - a versão definitiva do pequeno esportivo francês e, sem dúvida, a mais radical. Pelo visual, dá para dizer que ele “treinou” sério.
A “dieta” também foi pesada. Embora o A110 padrão já seja leve, o R é praticamente etéreo. Ele pesa apenas 1.082 kg, ou seja, cerca de 34 kg foram eliminados com um pacote de peças em fibra de carbono, um escape específico da versão R com ponteiras impressas em 3D e uma evidente ausência de material de isolamento acústico.
Entre os componentes de carbono estão o capô, o teto e aquele painel traseiro tipo “viseira”, estranho à primeira vista, mas bem sério - além dos bancos e das rodas de 18 polegadas (≈45,7 cm) absurdamente nerds e propositalmente desencontradas. Há ainda mais itens aerodinâmicos em carbono, como um novo lábio dianteiro, saias laterais, asa traseira e difusor.
Mas você já dirigiu esse carro, não é?
Sim. A nossa primeira experiência foi na Espanha, em janeiro deste ano, mas agora finalmente colocamos o A110R em um asfalto “de verdade” no padrão Reino Unido. Isto é: algumas estradas secundárias excelentes, só que também muitos trechos tão esburacados que parecem capazes de soltar até obturação.
Então vai: ele aguenta as nossas estradas?
Antes de tudo, vale dizer que o A110R traz mudanças de suspensão para combinar com o visual de carro de corrida. Ele é 10 mm mais baixo até do que o A110S e as molas também são mais firmes.
Na prática, ele passa mesmo uma sensação de rigidez, mas - surpreendentemente - não se deixa desviar por ondulações e, no geral, parece não se abalar com o pior que o asfalto oferece. Isso é bem impressionante para um esportivo pronto para pista. E, se você realmente precisar “amansar”, altura do carro e amortecimento são ajustáveis.
Mas daria para conviver com ele no dia a dia?
A pergunta real é se ele ficou duro demais. Só que, para chegar ao A110R, você já precisa estar procurando um esportivo de verdade, capaz de encarar bem mais do que um ou outro dia de pista - então a maciez de um Rolls-Royce não faz parte do pacote. Dentro dessa lógica, o A110R é perfeitamente aceitável. Como ele é leve, não “bate seco” nas irregularidades; a sensação é mais de pular e quicar por cima de cada uma.
Em termos de praticidade, nada foi sacrificado no espaço para bagagens. Você ainda tem um porta-malas de 100 litros na frente e outro de 96 litros sob a asa traseira - embora a visibilidade para trás tenha virado praticamente zero por causa daquela enorme tampa do motor em carbono.
Por dentro, o acabamento é dominado pelo Alcantara e ganha um toque mais vivo com aquelas alças de porta que lembram língua de cachorro. Continua ali a mesma central multimídia de 7,0 polegadas, um tanto lenta para responder, já vista em outros Alpine, além do sistema de som Focal, ar-condicionado (sim, isso certamente poderia economizar mais alguns quilos) e os bancos concha de carbono.
E esses bancos… eles são realmente excelentes: muito confortáveis e fazem você sentar bem rente ao assoalho do A110. Por outro lado, os cintos de cinco pontos podem cansar um pouco se a ideia for só dar uma ida rápida ao mercado.
Ele continua rápido, certo?
Sim, porque não há mudanças na versão mais forte do motor do A110. Em posição central, vai o 1,8 litro de quatro cilindros, com 296 bhp e 251 lb ft de torque. É potência de sobra para um carro tão leve - e suficiente para baixar o 0–100 km/h em 3,9 segundos (equivalente ao 0–62 mph).
Além disso, com menos arrasto e ainda mais downforce, a velocidade máxima sobe para 285 km/h (equivalente a 177 mph). Claro que você não vai aproveitar legalmente no Reino Unido esse ganho extra de cerca de 11 km/h (7 mph) sobre o A110S com pacote aerodinâmico, mas o encanto do A110R - e, na verdade, de todos os Alpine - é ser divertido em velocidades sensatas. O R pode até parecer sério demais, porém ele é tão envolvente quanto os outros A110s, com sensação de direção e de freio ainda melhores.
E ele soa como um esportivo de verdade. Tudo bem, não tem o berro do seis cilindros boxer 4,0 litros da Porsche, mas, para um quatro cilindros turbo compacto, há bastante personalidade. Sob aceleração, aparece um assobio bem intencional e, ao aliviar o acelerador, surgem ótimos estalos e “descargas” do turbo. Dá vontade de ver esse escape e a ausência de isolamento acústico se espalharem pelo restante da linha A110.
O que mais eu poderia comprar com esse dinheiro?
Curiosamente, se a ideia é entrar numa concessionária e sair com um zero-quilômetro, não existem muitos rivais diretos do A110R à venda no momento em que este texto foi escrito. Talvez você consiga assumir um pedido cancelado de um Porsche 718 Cayman GT4, mas ele praticamente já cedeu espaço ao GT4 RS e ao Spyder RS, ainda mais extremos. Fora isso, dá para comparar o Alpine - que parte de salgados £94.990 - com um Lotus Exige Cup 430 usado ou com um BMW M2 CS da geração anterior, pouco rodado.
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