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FAB confirma explosão do foguete HANBIT-Nano da Innospace em Alcântara

Astronauta brasileiro em uniforme azul com Torre de Lançamento de Foguete e fogo de propulsão ao fundo.

Depois de três adiamentos causados por problemas técnicos, a Força Aérea Brasileira (FAB) confirmou a explosão do foguete HANBIT-Nano, desenvolvido pela empresa sul-coreana Innospace, após a decolagem a partir do Centro de Lançamento de Alcântara (CLA), no estado do Maranhão. O episódio aconteceu em 22 de dezembro, durante a Operação Spaceward, e era o primeiro esforço de lançamento comercial realizado em território brasileiro - um marco que acabou frustrado com a falha do veículo.

Anomalia poucos segundos após a decolagem no Centro de Lançamento de Alcântara (CLA)

O HANBIT-Nano foi lançado às 22:13 (GMT-3) e iniciou, de forma considerada normal, uma subida vertical. No entanto, poucos segundos depois foi detectada uma anomalia no foguete, que levou à colisão com o solo.

Segundo a própria FAB, todas as atividades sob sua responsabilidade - incluindo segurança, rastreio e coleta de dados - foram executadas de acordo com padrões internacionais do setor espacial. Equipes da FAB e do Corpo de Bombeiros do CLA seguiram imediatamente para o local do impacto, onde realizaram avaliações técnicas e o recolhimento dos destroços.

Investigação da Innospace com a FAB e instituições parceiras

A Innospace informou que está trabalhando em conjunto com a FAB e outras instituições para analisar os dados de voo e identificar a causa da falha. As avaliações preliminares apontam para uma anomalia técnica súbita ocorrida após a separação do vetor, embora a apuração siga em andamento.

Operação Spaceward, AEB e o primeiro lançamento comercial no Brasil

A tentativa fazia parte da Operação Spaceward, uma iniciativa conjunta entre a FAB e a Agência Espacial Brasileira (AEB). O plano previa o envio de cinco satélites e três experimentos científicos, em uma ação vista como um marco para a indústria aeroespacial brasileira.

Além disso, o lançamento representava o desfecho do contrato assinado com a Innospace em 2022, derivado do processo de seleção pública iniciado em 2020.

Três adiamentos anteriores por problemas técnicos

Vale lembrar que a operação já havia sido remarcada três vezes por diferentes contratempos técnicos. O primeiro adiamento ocorreu em novembro, após a identificação de falhas em uma válvula do tanque de metano líquido. Depois, novos ajustes no sistema de resfriamento do oxidante do primeiro estágio levaram a outra reprogramação, empurrando o cronograma para dezembro, quando o lançamento finalmente foi tentado - sem sucesso.

O que é o foguete HANBIT-Nano e por que Alcântara é estratégica

O HANBIT-Nano é um lançador orbital de dois estágios, projetado para colocar cargas úteis de até 90 quilogramas em órbitas a 500 quilômetros de altitude. Com 21,8 metros de altura e 1,4 metro de diâmetro, integra uma nova geração de foguetes de pequeno porte voltados a missões de baixo custo e resposta rápida.

Seu desenvolvimento envolveu 247 profissionais, incluindo mais de um centenar de engenheiros dedicados exclusivamente a pesquisa e desenvolvimento.

Apesar do desfecho negativo, o lançamento do HANBIT-Nano reforça a posição do Centro de Lançamento de Alcântara como uma das instalações mais estratégicas do hemisfério sul. Por estar perto da Linha do Equador, a base oferece uma vantagem geográfica singular para operações espaciais. Com mais de quatro décadas de atividade e mais de 500 missões realizadas, o CLA segue como peça central do programa espacial brasileiro e como porta de entrada do país no mercado global de serviços de lançamento.

Imagens usadas apenas para fins ilustrativos. Créditos: Innospace.

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