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Teste do Toyota Aygo Crazy: 197 cv e motor central

Carro branco esportivo Toyota Aygo em movimento em estrada urbana com prédios ao fundo.

Esta avaliação foi publicada originalmente na Edição 185 da revista Top Gear (2008).

Como nasceu o Toyota Aygo Crazy

Nos últimos anos, deu pena do pessoal encurralado no canto “desempenho” do P&D da Toyota. Depois que Celica, MR2 e Supra saíram de cena, a turma ficou praticamente sem serviço - dá para imaginar todo mundo sentado, passando o tempo a fazer tsurus de origami.

Até que, alguns meses antes, um chefão da Toyota apareceu por lá com um Aygo debaixo do braço.

"Aí está, pessoal. Façam o pior. Enlouqueçam™."

"Ué, um Aygo? Não dá para ser pelo menos um Auris?"

"Não. Aí a piada não funciona."

"Um Yaris?"

"Também não: vocês vão ficar com um Aygo. Mas o acordo é o seguinte: podem fazer o que quiserem. Qualquer coisa."

"Fechado. Quantos vamos produzir? Alguns milhares, certo?"

"Hã… um. Foi mal. Mãos à obra."

Engenharia maluca no Aygo Crazy: 197 cv e motor central

E eles realmente enlouqueceram: encheram o pequeno Aygo de fibra de carbono, instalaram freios Brembo, colocaram um bodykit monstruoso, alargaram a bitola e enfiaram nele o motor 1,8 litro VVTi do último MR2 - agora com um novo kit turbo. E, como tudo isso ainda parecia racional demais, arrancaram os bancos traseiros e colocaram o conjunto mecânico ali mesmo. Sim: o que você está a ver é um Aygo com motor central e tração traseira. Com 197 cv. Desde o Clio V6, não se prometia tanto sobre-esterço repentino com tamanha convicção.

E a palhaçada não para aí. Os engenheiros também eliminaram o sistema ESP, tiraram a direção assistida e mandaram embora o servo do freio. Eles chamam o carro de um kart com teto. A gente chama de preocupante.

Ao volante: surpreendentemente dócil (na maior parte)

Só que, de forma inesperada, o Aygo Crazy é bem civilizado para guiar. É verdade que o splitter dianteiro fica tão colado ao chão que dá medo de raspar até em faixas amarelas, mas acelerador e embraiagem são progressivos e tolerantes. Claro, se você o maltrata na chuva, ele fica meio nervoso; ainda assim, por ser tão leve (o Aygo marca 1 tonelada na balança) e tão comunicativo, não é difícil mantê-lo na linha.

Isso passa muito pela direção que - quando o carro já está em movimento - chega a ser espantosa. Há uma folguinha perto do centro, mas, assim que você aponta para a curva, ela ganha vida de um jeito absurdo. Nível Porsche GT2. Dá para “sentir” o asfalto com as pontas dos dedos. Tudo bem, vai ser preciso uma rotina de academia três vezes por semana para estacionar o bicho, mas, convenhamos, não vale o esforço?

O som do turbo como “truque” principal

O grande truque, porém, é a risadinha debochada da wastegate do turbo. E não é aquele piado discreto: é um sopro gigantesco, um ataque reflexo de gargalhada sempre que você alivia o acelerador. É diversão garantida.

Um protótipo que mostra a Toyota a brincar outra vez

No fim, é isso que define este carro bobo e exagerado numa palavra: diversão. Não, você não consegue comprar o Aygo Crazy - a Toyota fez apenas esta unidade, como vitrine -, mas ele serve para provar que o maior fabricante do planeta não passou por uma lobotomia do entretenimento. Como pacote completo, ele é “demais”, mas um pouco dessa maluquice na linha da Toyota seria muito bem-vinda.

E, de quebra, daria algo para aqueles engenheiros coitados fazerem também.

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