O que mudou no novo Volvo XC90
O que é isso, afinal?
Este é o novo Volvo XC90 - por muito tempo, o carro “oficial” das famílias de classe média dos Cotswolds. Só que agora a conta já não conversa com o “meio espremido”: o XC90 subiu de patamar. Como dá para perceber ao longo do pacote, a Volvo tratou de justificar a alta, porque a segunda geração não é “um pouco atualizada”. É “totalmente nova”.
Em que sentido ele é totalmente novo?
A base é inédita, e com ela vieram suspensão, sistema elétrico e interface do condutor igualmente novos. Até o emblema da Volvo foi redesenhado, para quem repara em detalhes. E, junto, chegam conjuntos mecânicos novos.
Espaço, sete lugares e versatilidade de cabine no Volvo XC90
Para mim, ainda parece uma perua gigantesca para família.
Sim: ele é grande por fora e, na prática, parece maior ainda por dentro. Há três fileiras de assentos realmente utilizáveis, além de um bom espaço para bagagens atrás. E a cabine é extremamente flexível, com uma variedade enorme de combinações de correr, reclinar e dobrar.
Outra surpresa é que todos os ocupantes enxergam bem para fora. Isso vem do posicionamento cuidadoso em estilo “teatro” e das laterais bem envidraçadas.
Como coube tudo isso?
A explicação está em decisões corajosas que a Volvo tomou ao desenhar a nova plataforma. A principal: projetá-la exclusivamente para motores de quatro cilindros. Assim, dá para obter excelente segurança em colisões com um balanço dianteiro mais curto - o que também ajuda na aparência.
Além disso, o empacotamento melhora e libera mais espaço para a cabine. E quatro cilindros tendem a beber menos do que seis, reforçando a mensagem “verde” da marca.
Motores e versões: D5, T6 e T8 no novo Volvo XC90
Como um 2,0 litros vai dar conta de puxar tudo isso?
No diesel, o D5 usa dois turbos e entrega 225 bhp, um número bem útil. Já o T6 a gasolina combina compressor mecânico e turbo, chegando a 320 bhp. Nos dois casos, a força aparece de forma ampla e com boa discrição sonora.
Dito isso, o motor a gasolina merecia um som mais interessante. Segundo os engenheiros, isso estava em ajuste nas últimas semanas antes do início da produção em volume. Tanto D5 quanto T6 usam tração integral mecânica convencional.
Convencional em oposição a quê?
À tração integral híbrida. A outra ponta da gama é o XC90 T8, topo de linha. Ele junta o mesmo motor a gasolina de 320 bhp a um motor elétrico atuando no eixo traseiro. Ao eliminar o eixo cardã, sobra espaço no “túnel” central do carro para acomodar a bateria do híbrido plug-in.
O resultado é desempenho de 400 bhp em um modo e, em outro, autonomia de até 40 km (25 milhas) rodando apenas no elétrico. E, para o fisco britânico, um consumo teórico de 113 mpg.
Esse T8 chega alguns meses depois das demais versões, e o exemplar guiado aqui ainda pedia um pedal de freio mais progressivo e uma calibração menos nervosa do câmbio. A Volvo afirma que as correções estavam a caminho. Com um pouco de cuidado ao dirigir, porém, ele fica suave e quase silencioso no uso urbano em modo híbrido - e bem rápido quando os dois sistemas trabalham juntos.
Conforto, dinâmica e tecnologia de bordo
Quem é que anda rápido num Volvo de sete lugares?
Pouca gente - mas, ainda assim, o novo chassi é mais competente do que se imagina. O XC90 não “desaba” em subesterço forte e controla muito bem tanto a rolagem quanto os movimentos de carroceria. Só que a proposta não é despertar seu lado “piloto de curvas”: aqui a ideia é avançar com rapidez, de forma discreta.
Então, em que ele é realmente muito bom?
Conforto, para começar. E não é só o conforto parado de assentos e espaço: é o conforto em movimento. A suspensão a ar opcional entrega uma rodagem notavelmente tranquila, inclusive com as rodas de 20 polegadas que vêm de série no acabamento mais alto.
As rodas opcionais de 21 polegadas deixam o comportamento um pouco mais “seco”, mas o nível de ruído também é baixo. Assim, uma viagem longa - como ir para uma temporada de esqui - tende a ser bem agradável.
E aquela tela enorme?
Ela faz parte da nova “interface homem-máquina”. A tela sensível ao toque é muito potente e responde rápido, com gráficos e gestos suaves, no estilo de tablet. Navegação e conexão com a internet são itens de série, e dá para parear com Apple CarPlay e, mais adiante, Android Auto.
Ainda assim, o sistema já funciona tão bem sozinho que fica a dúvida sobre por que você precisaria disso. Ao deslizar de cima para baixo, aparece uma lista enorme de opções configuráveis para outros sistemas do carro. Alternar entre clima, telefone, navegação e entretenimento é simples. E você nem precisa fazer isso o tempo todo, porque uma versão enxuta de cada área fica sempre visível em blocos na tela inicial.
Acabamento e segurança
Ele é agradável por dentro?
Mais do que agradável: é de primeira. O ambiente é simples e calmante, mas com sensação premium - só que daquele jeito acolhedor, bem escandinavo.
E é seguro, imagino.
Segurança é, literalmente, um ponto forte. A Volvo dá mais peso a estudos de acidentes do mundo real do que a testes de laboratório, e trabalha para criar carros que evitem colisões ou protejam melhor quando elas acontecem.
Eles realmente acreditam que ninguém será morto em um Volvo novo em 2020 - e a queda de vítimas desde cerca de 2010 vinha seguindo o caminho esperado.
No XC90, há uma célula extremamente rígida e um conjunto amplo de sistemas ativos de prevenção, alguns incomuns no mercado. Até o XC90 anterior, já com 12 anos, ainda aparece no topo de várias listas de segurança.
Preços no Reino Unido
Quanto custa?
No Reino Unido, os preços começam em £45,550 para o diesel “D5” - cerca de oito mil libras a mais do que o XC90 anterior - e sobem até £63,550 no híbrido “T8” com especificação máxima. Não é uma opção de entrada, mas o XC90 passa a sensação de que faz jus ao preço premium.
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