Com o bZ4X Touring, a Toyota pegou o seu SUV elétrico e o transformou numa opção mais útil e voltada para a família - ao ponto de virar a escolha “padrão” dentro da linha.
Num cenário em que quase todas as fabricantes acabam repetindo fórmulas parecidas, a Toyota foi na contramão e colocou na rua uma perua com proposta aventureira - um tipo de carro que praticamente sumiu do mercado.
Por isso, apesar do que o nome possa indicar, o novo Toyota bZ4X Touring está bem longe de ser só uma variação do SUV elétrico da marca japonesa. Basta bater o olho para entender que a ideia aqui é outra.
Com maior comprimento e um porta-malas bem mais generoso, o bZ4X Touring mira diretamente as famílias. Não chega a ser uma perua no sentido clássico, mas também não se encaixa exatamente como um SUV. Trata-se de um crossover versátil, com a promessa de dar conta de tarefas bem diferentes entre si. Ele cumpre o que promete? Fomos até a Eslovênia para dirigir o modelo em primeira mão e tirar a prova. Confira:
Maior onde importa
As diferenças entre o bZ4X “tradicional” e este novo bZ4X Touring aparecem logo nas medidas. Ele ficou 14 cm mais longo (agora são 4,83 m de comprimento), e isso abriu espaço para um salto importante no volume do porta-malas: são 669 litros, ou 217 litros a mais do que no SUV.
Com os bancos traseiros rebatidos, a capacidade de carga chega a 1718 litros - um número que torna difícil faltar espaço, mesmo com uso intenso.
Esses novos elementos externos reforçam a aparência mais aventureira desta configuração e “combinam” com o perfil que a Toyota quis imprimir ao modelo, que também pode ser equipado com versões de tração integral. Mas vamos por partes.
Ambiente renovado
Por dentro, o Touring traz o mesmo clima já conhecido do bZ4X reestilizado: quadro de instrumentos digital posicionado mais alto e uma central multimídia com tela grande, responsável por concentrar praticamente todas as funções.
Como a Toyota costuma fazer, o interior segue uma lógica bem racional. Ainda há, por exemplo, comandos físicos dedicados para o ar-condicionado e botões “de verdade” no volante.
Outro ponto que chama atenção de imediato é a sensação de qualidade no acabamento. Pode não ser a cabine mais moderna e sofisticada do segmento, mas passa uma forte impressão de robustez. Em um carro com missão familiar, isso pesa bastante.
E, já que o assunto é família, vale olhar para o banco traseiro: embora o espaço seja exatamente o mesmo da versão SUV - afinal, os 14 cm extras aparecem mesmo no porta-malas -, ele é amplo o suficiente para encarar viagens longas sem drama.
Nesse aspecto, a única crítica é que não dá para encaixar os pés sob o banco dianteiro quando ele está regulado na posição mais baixa. Fora isso, ponto para a Toyota.
Elétrico mais potente da Toyota
Além de assumir o posto de elétrico mais versátil da Toyota, o bZ4X Touring passa também a ser o carro elétrico mais potente que a marca já produziu. A honra fica com a versão topo, equipada com dois motores (um em cada eixo) e tração integral.
Somados, são 280 kW (381 cv). A arrancada de 0 a 100 km/h acontece em apenas 4,5s, o que também coloca o modelo como o Toyota de produção com aceleração mais rápida, se deixarmos de fora os modelos GR. A autonomia declarada é de 528 km.
A opção de entrada, com um único motor elétrico no eixo dianteiro, entrega menos potência, mas sem comprometer: são 165 kW (224 cv). Para ir de 0 a 100 km/h, precisa de 7,3s, e compensa o desempenho inferior com alcance maior: até 591 km no ciclo combinado WLTP.
Independentemente da versão, a bateria é sempre a mesma, com 74,7 kWh (no bZ4X SUV, ela fica em 73,1 kWh). O carregamento aceita potências de até 150 kW em corrente contínua (DC) e até 22 kW em corrente alternada (AC).
Existe ainda outra diferença que vale destaque - especialmente para quem pretende sair do asfalto e se aventurar no fora de estrada. A versão com tração integral traz também os sistemas X-MODE e Grip Control, que acrescentam vantagens ao encarar um “estradão” de terra ou ao cruzar trechos com lama ou neve.
Como peixe na água
Ao sair do asfalto, fica claro rapidamente que o Toyota bZ4X Touring foi pensado para esse tipo de uso, inclusive pela altura livre do solo. Encarar pisos ruins vira, portanto, uma tarefa relativamente tranquila. E essa confiança permite chegar a lugares onde, com uma perua convencional, provavelmente você não iria.
Quando voltamos para a estrada, as diferenças entre as duas configurações ficam bem mais nítidas - e merecem ser detalhadas.
A versão com tração dianteira, que traz rodas de 19″ de série, é a mais confortável do conjunto. A suspensão filtra bem as irregularidades do piso, resultando numa condução mais macia e descansada, principalmente nas situações mais comuns do dia a dia: estradas secundárias, asfalto irregular ou simplesmente os inevitáveis quebra-molas e buracos que marcam as vias em Portugal. Para uma perua familiar, esse acerto faz todo sentido.
Já a versão AWD vem equipada de fábrica com rodas de 20″ e, junto delas, aparece uma suspensão perceptivelmente mais rígida. A diferença é clara, sem sutileza. Em vias rápidas e bem asfaltadas, o carro fica mais contido e dinâmico, o que pode agradar quem gosta de dirigir com mais envolvimento. Porém, em piso ruim ou em viagens longas, essa firmeza cobra seu preço no conforto.
Não chega a ser desconfortável a ponto de incomodar, mas quem coloca o conforto acima de tudo vai preferir, sem dúvida, a versão de tração dianteira.
É um daqueles casos em que mais potência e mais capacidade off-road não significam, necessariamente, uma experiência melhor no uso cotidiano. E, em um país como Portugal - onde as escapadas fora de estrada são exceção, não regra -, a versão 4×2 tende a fazer mais sentido para a maioria dos motoristas, e não apenas por causa do preço.
Quanto custa?
O novo Toyota bZ4X Touring já pode ser encomendado em Portugal, com preços a partir de 52 850 euros na versão 4×2. É um patamar bem acima do bZ4X convencional, cuja linha hoje começa em 44 997 euros.
A versão AWD, por sua vez, é a mais potente da gama e aparece apenas no nível mais alto de equipamentos. Os preços partem de 60 550 euros. No mercado português, fica difícil defender a escolha da tração integral.
Como é comum nos elétricos da marca, a bateria conta com garantia que assegura ao menos 70% da capacidade original por 10 anos ou até um milhão de quilômetros, desde que os planos de manutenção previstos pela Toyota sejam seguidos.
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