Night Stalkers e o 160th SOAR no ataque à Venezuela
Entre os diversos componentes de operações especiais dos EUA que participaram do recente ataque à Venezuela estiveram os “Night Stalkers”, unidade mais conhecida como 160th SOAR (Special Operations Aviation Regiment). Com a circulação massiva de várias sequências em vídeo, foi possível identificar o emprego dos helicópteros MH-60M, MH-60M DAP e MH-47G - aeronaves que, muito provavelmente, foram responsáveis por infiltrar e extrair as equipes de assalto de operadores especiais norte-americanos junto aos seus objetivos.
As gravações feitas durante a madrugada na Venezuela mostram, com nitidez, helicópteros dos Night Stalkers sobrevoando Caracas com uma liberdade quase total. Essas aeronaves não apenas atuaram contra diferentes alvos, como também, ao que tudo indica, transportaram os destacamentos de operações especiais ligados à captura de Nicolás Maduro.
Aeronaves empregadas e poder de fogo dos helicópteros
Nas imagens, aparecem helicópteros de transporte MH-47G Chinook, além de MH-60M e MH-60M DAP. Este último é a versão armada do Black Hawk, variante que pode receber lançadores de foguetes Hydra de 70mm, metralhadoras M134 Minigun, canhão M230 de 30mm, mísseis AGM-114 Hellfire, entre outras munições guiadas. Pelo menos um desses helicópteros foi filmado disparando seu canhão e foguetes contra um alvo em terra.
Embora os MH-47G sejam os “peso-pesados” dos Night Stalkers, o verdadeiro cavalo de batalha da unidade são os MH-60M Black Hawk. Nas versões mais recentes, esses helicópteros passaram a integrar um conjunto completo de sistemas eletro-ópticos, comunicações, navegação e autoproteção, o que possivelmente os coloca entre os meios de asa rotativa mais capazes e sofisticados em serviço em uma força armada.
Durante as ações na Venezuela, até o momento não foi possível ver a participação dos helicópteros leves MH/AH-6 Little Birds, plataformas especialmente adequadas para inserir operadores especiais em áreas muito restritas. Além dos meios já conhecidos dos Night Stalkers, pelo menos um MV/CV-22 Osprey também acompanhou a operação, assim como, provavelmente, outras aeronaves especializadas.
Em declarações recentes, autoridades dos EUA admitiram que ao menos um dos helicópteros empregados no raid em Caracas sofreu danos causados pelas forças bolivarianas. Apesar das avarias, a aeronave conseguiu retornar à base. Nas imagens que se espalharam nas redes, também é possível ver o lançamento de um projétil do tipo MANPAD ou RPG contra os helicópteros norte-americanos.
Do fracasso de Eagle Claw à formação do 160th SOAR
A origem dos Night Stalkers tem vários antecedentes na história da aviação de operações especiais dos EUA. Ainda assim, o fracasso no Irã durante a operação Eagle Claw se tornou um marco, impulsionando o Exército dos EUA a avançar na criação de uma unidade de Aviação do Exército dedicada ao apoio de operações especiais.
A operação Eagle Claw, realizada em abril de 1980 com a finalidade de resgatar cidadãos norte-americanos mantidos como reféns pelo regime do Irã na embaixada dos EUA, “…revelou problemas sistêmicos nas capacidades de guerra conjunta e operações especiais dos EUA, incluindo o apoio aéreo às Forças de Operações Especiais…”.
A Task Force 160 foi planejada no contexto da operação Honey Badger, um esforço conjunto das Forças Armadas dos EUA voltado a preparar uma nova tentativa de resgate. Para essa iniciativa, o Exército dos EUA montou duas Forças-Tarefa ad hoc na 101ª Divisão Aerotransportada: a Task Force 158 e a Task Force 160. Embora um novo resgate não tenha sido executado devido à libertação dos reféns em janeiro de 1981, o trabalho conduzido naqueles dias representou a gênese do 160.º Regimento de Aviação de Operações Especiais (SOAR), os Night Stalkers.
A TF 160 evoluiu para o 160º Batalhão de Aviação, unidade ativada em 15 de agosto de 1981 e que passaria a romper com a estrutura de forças da Aviação do Exército dos EUA, sua doutrina e seus modelos de treinamento convencionais. Ainda assim, os Night Stalkers precisariam atravessar uma trajetória difícil, marcada por desafios e obstáculos, que acabariam por lapidar e consolidar a força atual - a mesma que agora registrou mais uma operação na Venezuela.
Imagem de capa ilustrativa. Créditos: USMC – Cpl. Jaye Townsend
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