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Duelo cósmico: quasar atravessa galáxia numa colisão galáctica distante

Imagem artística de um quasar brilhante emitindo jato energético no centro de uma galáxia espiral colorida.

Um encontro distante entre duas galáxias revelou uma cena rara: uma delas atravessando a outra com um feixe intenso de radiação emitido a partir do buraco negro central. O flagrante mostra, em pleno andamento, uma colisão galáctica em que a “galáxia ferida” sofre efeitos severos - sobretudo a queda na formação de estrelas, já que a radiação varre as nuvens de gás e poeira onde estrelas recém-nascidas costumam surgir.

A equipa de investigadores que identificou o sistema apelidou o fenómeno de “duelo cósmico”.

"Aqui vemos pela primeira vez o efeito da radiação de um quasar diretamente na estrutura interna do gás em uma galáxia, fora isso, regular", afirma o astrónomo Sergei Balashev, do Instituto Ioffe, na Rússia, que co-liderou o estudo com Pasquier Noterdaeme, do Instituto de Astrofísica de Paris, na França.

Colisões galácticas e a teia de matéria escura

Por todo o Universo - quase até onde os nossos telescópios alcançam - astrónomos têm encontrado e analisado choques e fusões entre galáxias. O cosmos não é um amontoado aleatório e desconectado de ilhas estelares: existe uma vasta teia invisível de matéria escura que, pela gravidade, canaliza galáxias para aglomerados, onde colisões e uniões se tornam frequentes, formando estruturas maiores.

Acredita-se que esse tipo de atividade seja decisivo para o crescimento e a evolução das galáxias, bem como para o aumento dos buracos negros supermassivos nos seus núcleos. Em escalas humanas, é um processo lento: ao longo de milhões de anos, duas galáxias aproximam-se até serem capturadas pela gravidade mútua, passam uma pela outra repetidamente em órbitas cada vez menores e, por fim, juntam-se numa só.

O “duelo cósmico”: quando um quasar entra na fusão

O sistema observado está exatamente nessa fase de passagens repetidas - mas com um detalhe decisivo: uma das galáxias é um quasar. É assim que se chama o estado em que o buraco negro supermassivo no centro de uma galáxia se alimenta a um ritmo extraordinário, a partir de uma enorme nuvem de material em rotação ao seu redor.

As forças gravitacionais e o atrito aquecem essa nuvem a temperaturas de milhões de graus, fazendo-a brilhar intensamente. Porém, há mais: parte do material que espirala rumo ao buraco negro é desviada e acelerada ao longo das linhas de campo magnético do lado de fora do horizonte de eventos, na direção dos polos, sendo lançada ao espaço a velocidades imensas, próximas à da luz.

Jatos, “roubo” de gás e o apagamento da formação estelar

No caso do duelo cósmico, quando o quasar passa pela outra galáxia a cerca de 500 quilômetros por segundo (310 milhas por segundo), os seus jatos atingem o oponente. O impacto desorganiza as nuvens de gás e poeira responsáveis pela formação estelar, deixando muito pouco material intacto - e, com isso, reduzindo a atividade de nascimento de novas estrelas.

Além disso, parte do gás da galáxia atingida também é “surrupiada” pela gravidade da galáxia do quasar. Esse gás segue em direção ao centro galáctico e passa a abastecer ainda mais a voracidade do buraco negro.

A fase de quasar também não é propriamente benéfica para a formação de estrelas na sua própria galáxia. Enquanto o buraco negro devora material de forma frenética, ele expulsa ventos poderosos em todas as direções. Esses fluxos de alta velocidade empurram e removem o combustível estelar do próprio sistema hospedeiro - um processo conhecido como apagamento (porque “apaga” a formação de estrelas).

Choques que podem semear novas estrelas

Embora as duas galáxias estejam a atravessar dificuldades, a interação contínua também pode abrir caminho para novos episódios de vida estelar. Em colisões galácticas, os reservatórios de gás também se chocam; as ondas de choque criam regiões mais densas, cuja queda gravitacional pode dar origem às sementes de novas estrelas.

Às vezes, é preciso alguma perturbação para acender uma nova etapa de vida… até mesmo para galáxias na infância do Universo.

A pesquisa da equipa foi publicada na revista Nature.

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