O Honda Civic foi apresentado ao mundo em 1972 e, desde então, tornou-se a “espinha dorsal” da marca japonesa em diversos mercados, inclusive o europeu.
Agora, cinco décadas depois, a Honda finalmente “levantou o pano” sobre a 11ª geração voltada para a Europa, após a estreia da versão norte-americana no ano passado.
Em comparação com a dos EUA, a configuração europeia se diferencia principalmente pela traseira: aqui, o Civic é um hatchback de cinco portas, e não um sedã de quatro portas - ainda que o perfil das duas carrocerias seja bastante parecido.
Como o desenho geral já não era exatamente uma surpresa, vale reforçar o contraste em relação ao antecessor. A 10ª geração do Civic, marcada por uma postura visual agressiva - até nas variantes mais simples, e não apenas no Type R - deu lugar a um conjunto muito mais “calmo” e sofisticado.
Essa mudança de tom também aparece por dentro. O interior abandona um certo excesso visual e passa a priorizar um ambiente mais organizado, elegante e sereno, com destaque para as linhas horizontais.
Essa “viragem” para um estilo mais depurado e “tranquilo” é uma das formas de aplicar a filosofia da Honda ‘Man-Maximum, Machine-Minimum’ (M/M) no desenvolvimento dos seus modelos, influenciando diretamente design e acabamento.
Híbrido, apenas e só
A nova imagem talvez combine melhor com a proposta do seu trem de força. Em 2019, a Honda já tinha prometido que, até 2022, toda a sua gama estaria eletrificada - com exceção do Civic Type R.
E a promessa foi cumprida: o Honda Civic “europeu” será oferecido exclusivamente com a motorização híbrida e:HEV, seguindo a linha do restante portfólio da marca disponível por aqui.
Trata-se de um híbrido convencional - sem necessidade de tomada - com funcionamento semelhante ao de outros híbridos da Honda, como o novo HR-V e o Jazz.
Na prática, há um motor a combustão que atua principalmente como gerador, trabalhando em conjunto com dois motores elétricos. Um deles é conectado ao eixo dianteiro por meio de uma transmissão de relação fixa (ou seja, não há caixa de câmbio, como ocorre na maioria dos 100% elétricos).
No conjunto, a Honda declara potência máxima de 135 kW (184 cv) e torque máximo de 315 Nm no novo Civic e:HEV, repetindo os mesmos números do maior CR-V.
O motor a combustão é um quatro cilindros em linha de 2,0 l, aspirado, operando no mais eficiente ciclo Atkinson. A marca anuncia eficiência térmica de 41%, um dos melhores patamares entre motores a gasolina de produção.
A bateria de íons de lítio, com 72 células, é inédita, assim como a Unidade Inteligente de Potência (IPU), que ficou menor e mais leve, porém com maior densidade energética e instalada sob o banco traseiro.
Eficiência é palavra de ordem
O ponto central desse conjunto é a eficiência. A Honda anuncia emissões de CO₂ de apenas 110 g/km, o que equivale a aproximadamente 5,0 l/100 km - valor inferior ao do HR-V menos potente, que declara 122 g/km.
Como em outros híbridos da Honda, o Civic e:HEV alterna automaticamente entre os modos elétrico, híbrido e engine (única situação em que o motor a combustão se conecta ao eixo motriz, algo que acontece apenas em velocidades mais altas, como em rodovias).
Ainda assim, no Civic há quatro modos de condução disponíveis: Eco, Normal, Sport e o novo modo Individual. Neste último, o motorista pode ajustar separadamente o controle do motor, da transmissão e o estilo do painel de instrumentos digital.
Conectividade e segurança reforçadas
No novo Honda Civic e:HEV, os recursos tecnológicos e a proteção dos ocupantes foram ampliados.
De um lado, o sistema de infotainment é novo e passa a ser operado por uma tela central maior, de 9″, reposicionada mais acima para reduzir o tempo em que tiramos os olhos da estrada. Apple CarPlay sem fio vem de série, e há compatibilidade com Android Auto.
O pacote de segurança SENSING também foi expandido com mais assistências à condução. Há uma nova câmera frontal com ângulo de visão de 100º e nova tecnologia de reconhecimento, e o Civic passa a contar, pela primeira vez, com sensores ultrassônicos.
Tudo isso melhora a detecção de pedestres e de outros usuários da via, como ciclistas, além de aumentar a capacidade de identificar faixas de rodagem e outros limites.
A Honda também reforçou a segurança passiva do novo Civic: além de fortalecer a estrutura em pontos-chave, o modelo traz um total de 11 airbags - incluindo um airbag central dianteiro, airbags dianteiros para os joelhos e airbags laterais para os ocupantes do banco traseiro.
Quando chega?
O novo Honda Civic e:HEV, exclusivamente híbrido, começa a chegar ao mercado no próximo outono, mas os preços do modelo ainda não foram divulgados.
Já o Honda Civic Type R, que seguirá “teimosamente” apenas e só com motor a combustão, ainda pode ser revelado este ano, mas o mais provável é que só chegue em 2023.
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