Banido do céu após um acidente fatal em novembro do ano passado, o lendário MD-11 está prestes a voltar ao serviço graças a um corretivo da Boeing. Enquanto a UPS decidiu levar seus tri-jatos à aposentadoria, a FedEx aposta alto nesse resgate.
Em 4 de novembro de 2025, no aeroporto de Louisville, no estado do Kentucky, um MD-11 da UPS caiu poucos segundos depois de decolar, após o desprendimento repentino do motor esquerdo. Foi um acidente de gravidade extrema, que deixou 15 mortos, incluindo 12 pessoas em solo.
Na sequência imediata, a Boeing - responsável pelo programa do MD-11 desde a compra da McDonnell Douglas em 1997 - determinou a imobilização imediata de todas as unidades desse tri-jato icónico, hoje utilizado majoritariamente no transporte de carga. As primeiras conclusões da investigação indicaram falhas estruturais significativas nas fixações dos motores, peças críticas que não teriam sido inspecionadas havia anos.
Diante da notícia, os dois principais operadores do modelo seguiram caminhos opostos. De um lado, a UPS comunicou que iria acelerar a retirada definitiva de seus MD-11, optando por investir numa frota mais moderna de Boeing 767. Do outro, a FedEx se recusou a abandonar o tri-jato - e um novo corretivo da Boeing deve permitir que ele volte a voar muito em breve.
Um kit de reparo proposto pela Boeing
A gigante americana apresentou oficialmente um plano de recuperação à Administração Federal de Aviação (FAA), o regulador de aviação dos Estados Unidos, baseado numa modificação física combinada com um protocolo de manutenção extremamente rigoroso.
Na prática, o kit prevê a substituição dos rolamentos esféricos nos suportes traseiros de cada motor lateral, além de uma inspeção detalhada da antepara traseira da aeronave. O objetivo é interromper de forma definitiva a progressão de fissuras por fadiga - um tema que, na realidade, a Boeing já conhecia desde 2011, mas que não havia sido considerado crítico naquele momento.
E há mais: cada MD-11 precisará passar por uma avaliação aprofundada e receber uma autorização individual da FAA antes de ser liberado para decolar novamente. Embora a FedEx já tenha mobilizado suas equipas para executar as correções, o retorno efetivo ao céu vai depender da rapidez com que o órgão regulador certificará cada aeronave.
Nossa análise:
Já alvo de críticas por outras falhas industriais, a Boeing não tem margem para cometer um novo erro com um avião cujas fragilidades estão documentadas há mais de dez anos.
Isso pode ajudar a FedEx a atravessar o período de transição para modelos mais eficientes, como o 777F, já que a empresa precisa de capacidade de transporte imediata para compensar atrasos nas entregas de suas novas aeronaves. A companhia definiu 2032 como a data de aposentadoria definitiva de seus últimos tri-jatos.
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