A NASA informou nesta segunda-feira, 13 de maio, que está avançando em ritmo acelerado na definição da missão Artemis III do ano que vem em órbita terrestre. A proposta é realizar um voo tripulado que coloque à prova capacidades de encontro orbital (o conjunto de manobras em que duas espaçonaves se aproximam de forma intencional até estarem no mesmo ponto da órbita) e de acoplamento entre a cápsula Orion, da NASA, e módulos de pouso comerciais da Blue Origin e da SpaceX.
Desde o anúncio feito em fevereiro, que incluiu uma missão Artemis adicional antes das missões de pouso tripulado na região do Polo Sul da Lua, equipes de engenharia vêm comparando perfis possíveis de missão e requisitos operacionais para a Artemis III. O objetivo é garantir que esse voo de teste ajude a agência e seus parceiros a reduzir riscos antes do próximo pouso de norte-americanos na Lua, previsto para a Artemis IV.
Jeremy Parsons, administrador assistente adjunto interino do projeto Lua a Marte, da Diretoria de Missão de Desenvolvimento de Sistemas de Exploração (Exploration Systems Development Mission Directorate) da NASA, em Washington, afirmou:
“Embora esta seja uma missão em órbita terrestre, é um degrau importante para pousar com sucesso na Lua na Artemis IV. A Artemis III é uma das missões mais altamente complexas que a NASA já empreendeu. Pela primeira vez, a NASA coordenará uma campanha de lançamento envolvendo múltiplas espaçonaves, integrando novas capacidades nas operações Artemis. Estamos integrando mais parceiros e operações inter-relacionadas nesta missão, o que nos ajudará a aprender como a Orion, a tripulação e as equipes terrestres interagem juntas com equipamentos e equipes de ambos os provedores antes de enviarmos astronautas para a superfície da Lua e construirmos uma Base Lunar lá.”
Objetivos da Artemis III em órbita terrestre
De acordo com o planejamento atual, a missão deverá cumprir uma sequência de metas desenhadas para comprovar sistemas essenciais que serão exigidos em um futuro pouso lunar. A Artemis III também servirá como uma validação operacional: em vez do cenário lunar, a escolha por uma órbita baixa da Terra amplia as possibilidades de janela de lançamento para cada elemento envolvido.
SLS e Orion: lançamento, tripulação e o uso do “espaçador”
Durante a Artemis III, o foguete Sistema de Lançamento Espacial (SLS – Space Launch System) decolará do Kennedy Space Center, na Flórida, levando a espaçonave Orion com quatro integrantes de tripulação.
Nesta missão, porém, a NASA não utilizará o estágio criogênico de propulsão provisório como estágio superior do foguete. No lugar dele, será empregado um “espaçador”: um componente que representa a massa e as dimensões gerais de um estágio superior, mas sem capacidade de propulsão. Ainda assim, esse espaçador preservará as mesmas dimensões e os mesmos pontos de conexão de interface do estágio superior, posicionados entre o adaptador de estágio da Orion e o adaptador de estágio do veículo lançador.
O Centro de Voo Espacial Marshall, da NASA, em Huntsville (Alabama), está conduzindo as etapas de projeto e fabricação do espaçador em ritmo acelerado. O material da seção cilíndrica e dos anéis superior e inferior já está sendo usinado em Marshall, em preparação para as próximas atividades de soldagem.
Depois que o foguete colocar a Orion em órbita, o módulo de serviço construído na Europa fornecerá a propulsão necessária para circularizar a trajetória da nave ao redor do planeta, em órbita baixa da Terra. Essa escolha aumenta a probabilidade de sucesso global do plano ao oferecer mais oportunidades de lançamento para cada componente, em comparação com uma missão lunar - que exigiria que o SLS levasse a Orion e sua tripulação, o explorador do sistema de pouso humano Starship, da SpaceX, e o demonstrador do sistema de pouso humano Blue Moon Mark 2, da Blue Origin.
Encontro orbital e acoplamento com módulos de pouso da Blue Origin e SpaceX
Com base nas informações sobre as capacidades apresentadas pela Blue Origin e pela SpaceX, a NASA também está consolidando o conceito de operações da missão. Embora algumas definições ainda estejam pendentes, existe a possibilidade de que astronautas entrem em pelo menos um artigo de teste de módulo de pouso.
A tripulação deverá permanecer mais tempo a bordo da Orion do que na Artemis II, o que amplia a verificação dos sistemas de suporte à vida. Além disso, pela primeira vez, a missão demonstrará o desempenho do sistema de acoplamento. Com isso, será possível coletar dados sobre conceitos de encontro orbital, habitabilidade de módulos de pouso e procedimentos de missão, preparando o caminho para futuras operações na superfície.
A agência também pretende avaliar, no retorno da Orion à Terra, um escudo térmico atualizado. A meta é permitir perfis de reentrada mais flexíveis e mais robustos para missões posteriores.
Próximas definições: astronautas, AxEMU, comunicações e satélites-cubo
Nas próximas semanas, a NASA seguirá ajustando pontos específicos do plano de voo. Entre os itens em refinamento estão o cronograma para selecionar astronautas que serão treinados para as operações da missão, alternativas para avaliar interfaces de módulos de pouso com o traje espacial AxEMU, da Axiom, antes das missões de superfície lunar, a duração total da missão e possíveis atividades científicas durante o voo.
A NASA solicitou à indústria propostas de soluções para aprimorar as comunicações com o solo durante a missão, já que a Rede de Espaço Profundo não será utilizada. A agência também busca manifestações de interesse, no âmbito internacional e dentro dos Estados Unidos, para possivelmente levar satélites-cubo e liberá-los em órbita terrestre, e pode divulgar outras oportunidades conforme o conceito de operações da missão for sendo fechado.
Como parte da Era Dourada da Inovação e da Exploração, a NASA pretende enviar astronautas em missões Artemis progressivamente mais desafiadoras para explorar áreas maiores da Lua, promover descobertas científicas e benefícios económicos, estabelecer uma presença humana duradoura na superfície lunar e construir a base para as primeiras missões tripuladas a Marte.
Informações da NASA
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