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Dacia Sandero Stepway: avaliação do TCe 100 Bi-Fuel (8/10)

SUV Dacia Stepway laranja trafegando em estrada rural sob céu nublado.

Dacia. Custo-benefício. Tem mais alguma coisa para dizer?

Dá para começar exatamente por aí, porque você tem um ponto: o custo-benefício é, de longe, o maior trunfo da Dacia. Este aqui é o novo Sandero Stepway, a leitura “crossover” do Sandero hatch: suspensão mais alta, bastante plástico na carroceria e um ar mais aventureiro. Chamar de Dacia mais ligado em moda seria forçar a barra.

Preços, versões e a conta do financiamento

Os preços partem de £10,995 e sobem até £14,595. Com motor equivalente, o Stepway custa cerca de £1.000 a mais do que o Sandero - e no Stepway você nem consegue combinar o motor menor com o pacote mais básico. Mas também quase ninguém compra essa configuração. O raciocínio de quem leva um Dacia costuma ser: já é barato, então dá para “caprichar” um pouco.

É aí que aparecem escolhas como o câmbio automático, ou o salto da versão Essential para a Comfort. Com £1,500 de entrada, você fica em torno de £180 por mês para levar o carro que, de fato, muita gente vai querer: um TCe 100 Bi-Fuel, com preço de tabela de £12,995.

Espera, bi-fuel?

Sim: ele sai de fábrica com um tanque de GLP (LPG) pensado para ajudar a derrubar os custos - e, de quebra, fugir de uma parte dos impostos. Só que, honestamente, o carro em versão Comfort é bem… confortável mesmo. Você recebe tela sensível ao toque de 8 polegadas, Bluetooth, rádio DAB, freio de estacionamento elétrico, sensores de estacionamento, entrada e partida sem chave (um dos melhores sistemas que existem, porque ele trava sozinho quando você se afasta), espelhamento do celular e dois anos de revisões gratuitas.

Um detalhe importante: se der, vale colocar uma entrada maior. A Dacia cobra 6,9% de APR, o que é alto num cenário em que vários concorrentes aparecem com financiamento a 0%. O contraponto é simples: esses rivais também custam mais. O Sandero mais caro acaba batendo de frente com o Hyundai i10 mais barato, ou com alternativas como Suzuki Ignis e Swift.

Por que a Dacia consegue cobrar tão pouco?

Como a Dacia faz isso? Ela perde dinheiro em cada carro?

Pergunta justa - e eu não tenho uma resposta completa. Ainda assim, dá para listar alguns pontos. A marca usa tecnologia Renault já amplamente testada, cujo custo de investimento foi amortizado no Clio e em outros modelos. Além disso, toda a lógica da Dacia é orientada a valor: ela não tenta subir para uma faixa em que “marca” e “imagem” passam a ditar as regras, exigindo equiparação com concorrentes só para parecer competitiva. E preços baixos não estão, na prática, destruindo o valor de revenda no mercado de usados.

Existem vários motivos para a Dacia fazer algo que ninguém mais faz. Mas o principal, hoje, é que ninguém seguiu esse caminho. No fim, ela virou a única marca realmente “de entrada” por aí - e, para quem quer um carro novo gastando pouco e com bom custo-benefício, ela acaba sendo a única opção. O que surpreende é o quão bom o Sandero - e este Stepway novo - consegue ser.

Ao volante: motor, conforto e as manhas do conjunto

Bom em quê? Tipo bem montado e bom de dirigir?

Sim. E vou começar pelos acertos. O motor 1.0 turbo é bem liso, suave e silencioso. O carro também roda com conforto. Ele chega a ser um pouco “saltitante” porque a suspensão é macia e o conjunto oscila, mas o controle de carroceria é bom; quase não volta ruído ou aspereza pela suspensão, e o resultado é um rodar agradável e bem absorvente. Para o Sandero Stepway, isso é o que mais importa - e ele entrega bem.

O público-alvo do Stepway vai se importar que o motor perde fôlego lá em cima a ponto de a linha vermelha a 6.200 rpm parecer tão distante quanto uma viagem internacional, que o ponto de acoplamento da embreagem é no máximo nebuloso, que a direção conversa com você tanto quanto um adolescente médio, ou que a calibração do acelerador não é das melhores?

Imagino que não.

E eu também imagino que não. Mas, na verdade, o último ponto merecia mais atenção: a calibração do acelerador deixa difícil entender o que o carro vai fazer. Em alguns momentos ele reage demais ao seu pé e parece “disparar”; em outros, entrega menos do que você espera. É estranho e, somado à embreagem imprecisa, pode tornar o Stepway um pouco chato em baixa velocidade de vez em quando.

O trem de força, com aquele efeito de volante de inércia mais pesado, passa uma sensação meio “folgada”, como se o carro fizesse o máximo para separar você do motor. Ainda assim, dá para conduzir o manual de seis marchas com suavidade sem precisar apelar para o automático de £1,200, disponível em algumas versões. O 0–62 mph (0–100 km/h) acontece em 11.9secs.

E de curva, ele vai bem?

Ele é plenamente competente - o tipo de carro do qual você não espera nada e, por isso, acaba se surpreendendo de forma moderada. Não amolece na primeira curva e, com apenas 1,154kg, tem aquele jeito francês de encarar uma estrada mais travada sem exigir esforço. Não é o tipo de carro que recompensa em primeiro plano; é mais uma satisfação secundária.

Cabine, espaço e itens que importam

E por dentro, como é?

O tamanho é o que mais conta - e aqui ele acerta. Cabe levar quatro adultos e ainda acomodar uma boa quantidade de bagagem no porta-malas de 328 litros. Ele tem dimensões típicas de muitos hatchbacks, um “supercompacto-plus” que simplesmente parece certo: pequeno o suficiente para ser fácil de administrar na rua, e espaçoso o suficiente por dentro para dar conta do recado.

Sim, existem plásticos e acabamentos mais simples. Só que, como ele resolve bem o básico - layout e ergonomia -, você releva porta-objetos de porta mais ásperos. Ponto para o carro do teste por trazer um suporte de celular no topo do painel com uma entrada USB bem ao lado. É um detalhe simples e útil. E aquela faixa de tecido atravessando o painel realmente ajuda a elevar o ambiente.

No fim, o que fica é que a cabine é fácil de conviver. Os comandos do ar/ventilação são amigáveis, os bancos são corretos, e as telas não têm um excesso de funções a ponto de virar confusão para operar. Existe um equilíbrio bem encontrado. E tudo isso por menos de £13,000.

E tem mais: abastecendo com GLP, o gasto de combustível pode ficar em metade do custo da gasolina - mas vale lembrar que o consumo declarado cai de 48.7mpg na gasolina para 38.2. O CO2 fica em 130g/km. Deve custar tão pouco para manter quanto qualquer carro elétrico e ser absurdamente, absurdamente mais barato para comprar.

Imagem e design do Sandero Stepway

Ele sofre com problema de imagem?

Para mim, não. Acho que dizer que você dirige um Dacia soa como uma escolha mais inteligente - é custo-benefício sem parecer “mão de vaca”. E eu gosto do visual: bem menos quadradão do que o Sandero Stepway antigo, menos pretensioso do que outros crossovers e, no geral, um trabalho de design bem resolvido.

Nota: 8/10

Especificações: 999cc 3 cilindros turbo, manual de 6 marchas, tração dianteira, 100bhp, 125lb ft, 0-62mph em 11.9secs, 109mph máx, 48.7mpg, 130g/km CO2, 1154kg

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