A C12 acaba de atingir um marco silencioso, porém decisivo: hoje, a startup parisiense consegue montar seus chips quânticos 12 vezes mais rápido do que fazia há um ano. Com isso, ela comprova na prática uma tecnologia patenteada e, segundo a empresa, única no mundo.
Pense no seguinte: posicionar um único fio de cabelo sobre uma área do tamanho de Paris, errando por apenas algumas ruas. Em escala nanométrica, é esse o nível de exigência que a C12 enfrenta sempre que integra um dos seus processadores quânticos. A empresa anunciou o Pick & Place, um método patenteado de nanoassemblagem desenvolvido integralmente “em casa”, que altera o cenário de fabricação das suas pastilhas.
Pick & Place e os nanotubos de carbono nos chips quânticos da C12
Enquanto grande parte do ecossistema de computação quântica aposta em qubits supercondutores ou em átomos aprisionados, a C12 seguiu outra direção desde a sua criação, em 2020: construir qubits a partir de nanotubos de carbono - cilindros moleculares cerca de 100.000 vezes mais finos que um fio de cabelo humano. Essa rota, nascida em pesquisas da École normale supérieure, é apresentada como única no mundo e promete, em teoria, qubits mais estáveis e, portanto, menos erros de cálculo.
O entrave, até aqui, era a escala. Produzir esses chips em volume vinha sendo um quebra-cabeça. É nesse ponto que o Pick & Place entra como resposta concreta: o processo permite transferir nanotubos de carbono individuais para chips de silício com precisão micrométrica, operando em vácuo ou em atmosfera inerte. Além disso, ele acrescenta uma etapa crucial de pré-seleção: cada nanotubo é qualificado eletricamente antes de ser integrado. De acordo com a C12, hoje ela é a única empresa no mundo capaz de executar essa operação no nível do qubit.
Ganho de velocidade na prática
Os números indicam um avanço expressivo. Em 4 semanas, a C12 montou 50 dispositivos. Para chegar a esse mesmo total, antes seriam necessários todos os meses de 2025.
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Um salto industrial maior
Até então, o crescimento dos nanotubos e a fabricação do chip eram etapas acopladas, com pouca flexibilidade. Ao separar esses dois momentos, a C12 aumenta a modularidade do fluxo e passa a escolher os melhores nanotubos antes de inseri-los - em vez de descobrir a qualidade apenas depois da integração.
O chip chamado Alta Densidade materializa o progresso. Ele reúne 17 dispositivos quânticos em um único chip - um recorde interno para a C12 - e demonstra que, agora, é possível montar vários nanotubos com precisão e reprodutibilidade em regime de série. O procedimento também é parcialmente automatizado, o que abre caminho para elevar a cadência de produção de forma gradual.
A C12 ainda não produz processadores quânticos em massa - e, na prática, ninguém produz -, mas, ao estruturar esse tipo de processo, a empresa afirma estar construindo a base industrial necessária para chegar lá.
Roteiro bem definido
Esse passo se encaixa em um plano tecnológico que prevê 4 gerações de processadores. A meta final é ultrapassar 100.000 qubits físicos, com integração direta em um data center. É uma ambição alta, cuja credibilidade depende de um requisito inegociável: fabricar essas pastilhas com confiabilidade e repetibilidade. O Pick & Place caminha nessa direção.
Criada em 2020, a C12 soma hoje mais de 60 colaboradores e já captou mais de 25 milhões de euros. Recentemente, a empresa contratou Julien Sarry, ex-Apple, justamente para acelerar sua industrialização.
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