Toutatis é um programa separado do Chorus. Em paralelo ao drone de transporte de carga explosiva pesada desenvolvido com a Turgis Gaillard, a Renault se alia à Thales para colocar de pé um drone kamikaze leve, pensado para ser levado por soldados a pé. A montadora mira principalmente o mercado externo e a demanda crescente na Europa Oriental.
Na Eurosatory 2026, a Renault e a Thales chamam atenção ao apresentar a retomada da produção de um veículo militar, batizado de “4 Troop”. Um dia depois desse anúncio, nesta quarta-feira, 17 de junho, a fabricante francesa exibe um segundo drone kamikaze, o “Toutatis”, após o “Chorus”, feito com a Turgis Gaillard. A fabricação deve começar no início do próximo ano, com a meta de chegar a 1 000 unidades por mês. A Thales ficará responsável pelos componentes ligados à carga explosiva e pelo acompanhamento com guiamento seguro.
O segundo drone da Renault: por Toutatis
Exportação e demanda na Europa Oriental
O drone Toutatis não foi desenhado para atender a França (apesar de ser produzido no país). O foco é a exportação, com capacidade para abastecer a necessidade atual em regiões próximas - ou não - da linha de frente na Ucrânia. Para o presidente da Thales, citado pelo Les Échos, o equipamento deve responder a demandas “importantes em volume e, sobretudo, bastante imediatas, em países cujo nível de conflituosidade é potencialmente elevado *na Europa Oriental*”. É uma forma indireta de mencionar a pressão gerada pelo confronto com a Rússia e o risco crescente para nações vizinhas da Ucrânia.
Com uma cadência projetada de 1 000 unidades mensais já no ano que vem, é plausível que o drone não apenas reforce estoques, como também acabe empregado em operações.
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Parceria Renault–Thales e produção em escala
O Toutatis pesa 4 kg, mirando a procura por drones kamikazes portáteis, capazes de ser operados por pequenas equipes deslocando-se a pé e também transportados por veículos, embarcações ou aeronaves. Anteriormente, a base do produto era um protótipo apresentado pela Thales no Salão de Le Bourget - um projeto que, na prática, aguardava um parceiro industrial.
Nesse ponto, a Renault se coloca como o parceiro definitivo, por entender que tem capacidade industrial acima da de empresas tipicamente voltadas à defesa. François Provost, novo CEO do grupo, afirmou na Eurosatory que “a Renault traz a capacidade de fazer objetos disruptivos, a custos” inferiores aos “de um industrial de defesa, e de fabricar em grande escala”.
Especificações do drone kamikaze Toutatis, da Renault e da Thales
- Drone de 4 kg, 1 m de comprimento e 60 cm de envergadura
- Ogiva militar intercambiável de 1 kg
- 30 minutos de autonomia
- 30 km de alcance
- Desdobramento em menos de 5 min
- De 1 000 unidades por mês, com expansão fácil para 10 000
As incursões da Renault na defesa: rumo a uma “organização estruturada”
Portfólio militar: Chorus, 4 Troop e “drone terrestre”
Pouco mais de um ano após iniciar as bases do retorno à indústria de defesa, o Toutatis se torna o quarto projeto oficial da Renault no setor. Além do drone Chorus e do veículo 4 Troop, a empresa também trabalha em um “drone terrestre”: um pequeno veículo teleoperado para atuar no front, desenvolvido com a multinacional belga John Cockerill. Enquanto não surgem mais detalhes do projeto, a John Cockerill aproveitou a Eurosatory para exibir um blindado de combate de 26 toneladas.
Embora seja um grupo transfronteiriço, a John Cockerill se conecta à Renault por meio de uma subsidiária. Em 2024, a empresa comprou a Arquus - antiga “Renault Truck Défense” - da Volvo.
Ucrânia, escala de drones e gestão de imagem
Na Ucrânia, a produção de drones deve ultrapassar 5 milhões de unidades neste ano, impulsionada por conhecimento técnico e fabricação local, nascidos de dezenas de pequenas startups e oficinas financiadas, entre outras vias, pelo fundo participativo United24 (plataforma de doações criada em 2022 após a invasão russa). Esses drones vão desde modelos FPV compactos até opções mais pesadas, como o SkyFall. Eles também ganharam destaque no conflito envolvendo o Irã, enquanto países do Oriente Médio recorreram à Ucrânia para compartilhar esse know-how e também para adquirir drones interceptadores.
Por ora, a Renault evita tratar a iniciativa como um verdadeiro motor para sua atividade econômica. Ainda assim, essa quarta entrada no segmento militar tende a aparecer de forma clara nos resultados do grupo, que não descarta “criar uma organização estruturada* para responder ao conjunto de projetos e oportunidades”, tudo *“até o fim do ano”, segundo citação reproduzida em matéria do Le Monde.
Essa postura também ajuda a separar, na percepção pública, as frentes militares da produção voltada ao consumidor. Ao mesmo tempo, equipes de comunicação trabalham para que o nome Renault não fique diretamente associado à fabricação de explosivos - ou mesmo para que a expressão “drone kamikaze” seja evitada.
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