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Cerimônia de baixa e 75.º aniversário do Esquadrão
Depois de quase cinco décadas em operação como peça central da aviação de caça da Força Aérea Uruguaia (FAU), foi realizada a cerimônia de baixa dos veteranos Cessna A-37B Dragonfly. Essas aeronaves marcaram gerações no Esquadrão Aéreo N.º 2 (Caça) e, por muitos anos, estiveram entre os principais meios de combate da instituição.
A despedida oficial aconteceu durante as comemorações do 75.º aniversário da unidade, com um evento solene e um voo especial que simbolizaram o encerramento de um ciclo relevante para a aviação militar do Uruguai.
Último voo e formação com o Embraer A-29 Super Tucano
O voo derradeiro incluiu uma passagem carregada de emoção ao longo do litoral uruguaio e uma formação aérea composta por dois A-37B Dragonfly acompanhados por dois Embraer A-29 Super Tucano, evidenciando a transição entre os dois sistemas de armas.
Antes de regressarem à Base Aérea de Durazno, as aeronaves voaram com a presença do Comandante em Chefe da Força Aérea Uruguaia, General do Ar Fernando Colina, e do Comandante do Comando Aéreo de Operações, Brigadeiro-General (Av.) Pedro Cardeillac.
Histórico operacional dos Cessna A-37B Dragonfly na FAU
A homenagem também foi uma oportunidade para relembrar a longa trajetória operacional dos Dragonfly na FAU. Após décadas cruzando os céus do país, a história desses jatos remonta a 1976, quando o Uruguai incorporou oito A-37B novos, registrados como FAU 270 a 277.
A entrega ocorreu com traslado em voo desde a Base Aérea de McConnell, da Força Aérea dos Estados Unidos, até Montevidéu, conduzido por pilotos uruguaios. A partir daí, os A-37B participaram de diversas missões e exercícios internacionais, consolidando-se como um dos símbolos mais reconhecíveis da aviação de combate nacional.
O fim dos jatos de caça no Esquadrão Aéreo N.º 2 (Caça)
Os A-37B foram, além disso, o último avião a jato em serviço na Força Aérea Uruguaia e o único vetor de combate do Esquadrão Aéreo N.º 2 (Caça). A unidade, por sua vez, tem tradição no emprego de aeronaves a reação, tendo operado anteriormente os Lockheed F-80 e os treinadores T-33A Shooting Star, utilizados no período de 1956 a 1997.
Com a retirada definitiva dos Dragonfly, encerra-se um capítulo histórico da aviação de caça uruguaia diretamente associado ao uso de jatos.
Dificuldades logísticas e cancelamento no Exercício Salitre (2022)
Nos anos mais recentes, a frota de A-37B passou a sofrer com uma disponibilidade cada vez mais limitada, impulsionada por desafios logísticos e de manutenção. Um caso emblemático ocorreu em 2022, quando a Força Aérea Uruguaia precisou cancelar sua participação no Exercício Salitre, no Chile, em razão de problemas ligados à colocação em condições dos motores.
O episódio reforçou a urgência de buscar um substituto para aeronaves que, apesar da extensa vida operacional, começaram a enfrentar restrições operacionais mais frequentes e significativas.
Renovação da frota com os Super Tucano e pacote logístico
A modernização começou a ganhar forma com a chegada dos Embraer A-29 Super Tucano. Em fevereiro de 2026, as duas primeiras aeronaves desembarcaram no Uruguai, com matrículas FAU 250 e FAU 251 - e, de maneira simbólica, foram escoltadas por dois A-37 Dragonfly durante a aproximação à Base Aérea de Durazno.
Esses aviões integram um contrato assinado no fim de 2024, que prevê a aquisição de seis Super Tucano, além de um pacote logístico completo com simulador de voo, equipamentos de missão e suporte técnico.
Segundo a Força Aérea Uruguaia, os Super Tucano devem recompor e ampliar capacidades de combate, treinamento avançado, patrulha e controle do espaço aéreo. Embora tenham desempenho inferior em velocidade e perfil de missão quando comparados a um caça a jato, os Super Tucano representam um avanço tecnológico nas operações por conta da aviônica moderna e da aptidão para empregar armamento guiado.
Além disso, eles substituirão tanto os A-37B Dragonfly quanto os IA-58 Pucará, já retirados, inaugurando uma nova fase para a aviação militar uruguaia. Assim, a despedida dos históricos Dragonfly simbolizou não apenas o fechamento de uma era iniciada em 1976, mas também o início de um processo de modernização voltado a manter e projetar as capacidades operacionais da FAU nas próximas décadas.
Créditos das imagens: Força Aérea Uruguaia.
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