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EXOP EVAM DBNQR: Exercício Operacional de Evacuação Aeromédica em Defesa Biológica, Nuclear, Química e Radiológica na Base Aérea dos Afonsos

Equipe médica com roupas de proteção com maca e paciente próximo a um helicóptero em área aberta.

Em cenários extremos com agentes biológicos, químicos, nucleares ou radiológicos, como é feito o resgate de uma vítima contaminada? Essa foi uma das situações colocadas em prática no Exercício Operacional de Evacuação Aeromédica com foco em Defesa Biológica, Nuclear, Química e Radiológica (EXOP EVAM DBNQR), encerrado na última sexta-feira (08/05), na Base Aérea dos Afonsos (BAAF), no Rio de Janeiro (RJ).

Treinamento EXOP EVAM DBNQR na Base Aérea dos Afonsos

De acordo com a Força Aérea Brasileira (FAB), o objetivo central foi capacitar tripulações e equipes de saúde para missões de Evacuação Aeromédica em ambientes simulados de contaminação BNQR. Realizado entre 27/04 e 08/05, o adestramento reuniu aproximadamente 250 militares da FAB, da Marinha do Brasil (MB) e do Exército Brasileiro (EB), com o emprego das aeronaves C-105 Amazonas, KC-390 Millennium, C-97 Brasília, C-95 Bandeirante e H-36 Caracal.

Aeronaves e integração entre equipes na evacuação aeromédica

“Para o Exercício Operacional, foi planejada uma dinâmica de voos que possibilita o treinamento integrado entre as equipes médicas e as tripulações aéreas. Com isso, foram empregadas aeronaves modernas e adaptadas ao cenário, como o KC-390 Millennium, um vetor estratégico de transporte que se destaca pelo deslocamento rápido, longo alcance e elevada capacidade de carga. Já o helicóptero H-36 Caracal possibilita a operação em áreas de difícil acesso, apoiando o resgate inicial de pessoas contaminadas”, ressaltou o Comandante do Grupo Operacional da BAAF, Tenente-Coronel Aviador Bruno Piumbine Cavalcante.

Objetivos, coordenação e interoperabilidade entre as Forças

O EXOP EVAM DBNQR foi coordenado pelo Comando de Preparo (COMPREP), em parceria com a Diretoria de Saúde da Aeronáutica (DIRSA) e com o Instituto de Medicina Aeroespacial Brigadeiro Médico Roberto Teixeira (IMAE). A direção do Exercício Operacional ficou a cargo do Comandante da BAAF, Tenente-Coronel Aviador Leonardo Teles Gomes.

Entre as metas estabelecidas estavam: fortalecer o entendimento mútuo entre tripulações e equipes médicas; potencializar o aproveitamento dos recursos disponíveis para elevar o nível das equipes participantes; e preparar os militares para missões conjuntas, com destaque para a integração entre saúde operacional e aviação militar.

“O Exercício foi uma grande oportunidade de compartilhamento doutrinário em prol da interoperabilidade entre as Forças e, logicamente, os objetivos estabelecidos pelo COMPREP e pela Diretoria de Saúde foram atingidos, de forma que foi possível entregar tripulações capacitadas, equipes de saúde também capacitadas e em condições de serem acionadas para um pronto emprego em um cenário de alta complexidade, em que são necessários rapidez para pronta resposta, segurança nas nossas operações, bem como responsabilidade para o cumprimento dos protocolos previstos”, destacou o Tenente-Coronel Teles.

Resgate da vítima contaminada em ambiente DBNQR

Em operações de evacuação aeromédica em áreas contaminadas por agentes biológicos, nucleares, químicos ou radiológicos, a execução começa antes de a aeronave sair do solo. Um passo crítico é a paramentação de tripulação e equipe de saúde, etapa que assegura a proteção de todos a bordo ao longo do resgate, do deslocamento e do atendimento ao paciente.

Paramentação e EPI no contexto da Defesa BNQR

“Nesse Exercício, também estamos treinando a utilização de Equipamento de Proteção Individual (EPI) que é usado em várias situações dentro da defesa BNQR de acordo com a especificidade da missão. Aqui, por exemplo, o pessoal está usando o EPI padrão, que é composto pela máscara de gás, macacão, luvas, sobreluva e sobrebota”, pontuou o Sargento Especialista em Informações Aeronáuticas Vinícius de Vasconcellos Santos, do IMAE.

Da “área quente” à “área fria”: primeiros respondedores e segurança do local

Quando existe suspeita ou confirmação de agentes biológicos, químicos, nucleares ou radiológicos, a resposta inicial cabe aos grupamentos especializados da Marinha do Brasil e do Exército Brasileiro. Ainda na chamada “área quente”, essas equipes fazem o reconhecimento do risco, identificam o agente contaminante e adotam medidas para diminuir as ameaças presentes no ambiente.

Concluída essa etapa, o paciente é transferido para uma “área fria”, entendida como local seguro para a operação de pouso. É aí que as aeronaves entram em ação - no Exercício, os vetores da FAB assumiram o resgate aeromédico. Com tripulação e equipe médica devidamente paramentadas, a vítima embarca e passa a receber os cuidados iniciais durante o voo até a unidade hospitalar.

“No contexto das operações DBNQR, os trajes específicos são utilizados pelos pilotos, tripulantes e equipe médica com o objetivo de garantir proteção aos militares envolvidos na evacuação aeromédica. A utilização desse equipamento é fundamental, uma vez que qualquer contato ou exposição sem a devida proteção pode ocasionar contaminação grave ou até mesmo levar o militar a óbito. Dessa forma, o emprego adequado dos trajes torna-se indispensável para a segurança das equipes e para o cumprimento seguro da missão”, comentou o piloto do Terceiro Esquadrão do Oitavo Grupo de Aviação (3º/8º GAV) – Esquadrão Puma, Tenente Aviador Claudio Alves de Oliveira Junior.

A operação, porém, não se encerra com o pouso. Depois do transporte, profissionais e tripulantes cumprem um último procedimento - e decisivo -: a descontaminação, garantindo que não fique qualquer resquício do agente DBNQR após a missão.

Análise Psicossocial do Cenário DBNQR

Além das equipes diretamente envolvidas, outras Organizações Militares (OMs) participaram do EXOP EVAM DBNQR. Uma delas foi o Instituto de Psicologia da Aeronáutica (IPA), que acompanhou de perto voos, instruções, briefings e atividades práticas, com observações em campo e aplicação de questionários voltados ao monitoramento de indicadores psicossociais ligados às exigências de um treinamento em cenário DBNQR.

A atuação priorizou a identificação de possíveis efeitos psicossociais associados às tarefas executadas, especialmente diante das demandas impostas pelo uso do Equipamento de Proteção Individual (EPI). Com isso, buscou-se contribuir para a elaboração de estratégias de prevenção e de mitigação de riscos relacionados ao desempenho humano.

“A inserção da Psicologia em exercícios operacionais reforça a importância dos fatores humanos para a segurança operacional, evidenciando que as capacidades operacionais não dependem apenas dos recursos técnicos e materiais, mas também da forma como o militar responde às exigências da missão”, explicou a Tenente Psicóloga Leticia Mattozinho da Cruz.

Informações da Força Aérea Brasileira

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