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Até meados de 2026, a Argélia chega ao ano de Copa do Mundo tendo a Argentina como primeiro adversário no torneio, com Forças Armadas que se destacam entre as mais relevantes do continente africano. Ao longo de décadas, o país manteve um programa de modernização apoiado sobretudo em material de origem russa, embora também tenha incorporado sistemas da China, da Alemanha e de outros fornecedores internacionais. O resultado é uma estrutura que reúne um grande efetivo terrestre, uma força aérea com capacidade de projeção e uma marinha pensada para resguardar a extensa faixa costeira no Mediterrâneo.
A própria geografia argelina ajuda a entender a lógica da sua defesa. O país faz fronteira com Marrocos, Líbia, Tunísia, Mali, Níger e Mauritânia e, além disso, possui ampla saída para o mar Mediterrâneo. Esse contexto sustenta investimentos contínuos em meios terrestres, aéreos e navais voltados ao monitoramento das fronteiras e à proteção de interesses considerados estratégicos.
Uma Força Aérea da Argélia em modernização
A Força Aérea da Argélia é um dos eixos centrais da defesa do país. O seu braço de combate reúne cerca de 70 caças Su-30MKA, 21 MiG-29S, 14 MiG-29M/M2, 33 bombardeiros táticos Su-24MK, 13 interceptadores MiG-25 e três aeronaves de reconhecimento Su-24MR.
Também é importante lembrar que, em 2025, foram incorporados caças de superioridade aérea Su-35 que, inicialmente, estavam destinados ao Egito, mas acabaram tendo a Argélia como cliente final. Como noticiamos à época, desde 2019 Washington ameaçou aplicar a Lei para Contrarrestar os Adversários dos EUA, com o objetivo de fazer o Egito desistir da compra fechada no ano anterior por cerca de 3.000 milhões de dólares; caso não recuasse, o país poderia ser alvo de múltiplas sanções.
No campo do transporte estratégico, a capacidade também é tratada como prioridade. A frota reúne 11 aeronaves Il-76MD/TD, oito C-130H, seis C-130H-30, cinco CN-295M, dois C-130J e dois L-100-30. Somam-se a isso seis aviões-tanque Il-78, que ampliam o raio de ação operacional dos vetores de combate.
Em asas rotativas, a Argélia dispõe de um conjunto numeroso de helicópteros. Entre os principais, estão 54 Mi-17, 39 Mi-171SH, 42 Mi-28NE/UB, 35 Mi-8T, 30 Mi-24MKIII, 28 Mi-2 e 14 Mi-26 (entregues em 2015 pela Rússia), empregados em missões de transporte, apoio de fogo, operações especiais e logística.
Nos anos mais recentes, a atualização da aviação militar seguiu avançando. Em fevereiro de 2026, foi confirmada a entrega de novos Su-35S vindos da Rússia. Imagens divulgadas por observadores locais exibiram pelo menos duas aeronaves já com cores e insígnias da Força Aérea argelina, sinalizando o início do cronograma de entregas.
Pouco tempo depois, a Argélia também recebeu os primeiros caças Su-57E. Com isso, o país passou a integrar o grupo dos primeiros operadores estrangeiros do avião de quinta geração. Pela agência estatal russa Rosoboronexport, foi destacado que: “o Su-57E está gerando um forte interesse entre os parceiros da Rosoboronexport, vários dos quais já assinaram contratos para o caça russo”.
O Exército de Terra concentra o maior volume de forças
O Exército de Terra argelino mantém aproximadamente 130.000 militares profissionais em serviço ativo. Além disso, conta com uma reserva acima de 150.000 homens e sustenta um sistema de serviço militar obrigatório com duração de doze meses.
A divisão territorial é organizada em seis regiões militares. Entre as mais relevantes, destacam-se a terceira região, sediada em Bechar, próxima à fronteira com Marrocos, e a quarta região, baseada em Ouargla, junto à fronteira com a Líbia - áreas vistas como de alta sensibilidade estratégica.
O segmento blindado é um dos pilares de combate do exército. A Argélia opera mais de 2.000 tanques, incluindo mais de 500 T-90SA, sendo 2020 o ano das últimas incorporações desse modelo. O inventário ainda inclui cerca de 500 T-72 modernizados e aproximadamente 1.000 T-62 e T-55 destinados à reserva ou a missões secundárias. Essa composição sustenta uma das maiores frotas de carros de combate do continente africano.
O componente mecanizado soma por volta de 7.000 veículos blindados. Nesse total, há mais de 2.000 veículos de combate de infantaria das famílias BMP-1, BMP-2 e BMP-3. Também são utilizados transportes blindados BTR-60, BTR-80 e Fuchs 2, além de veículos táticos Nimr produzidos localmente por meio de cooperação com os Emirados Árabes Unidos.
Artilharia e sistemas de mísseis ocupam espaço de destaque na doutrina militar argelina. O exército emprega obuses autopropulsados 2S1 Gvozdika, 2S3 Akatsiya e PLZ-45. Do mesmo modo, utiliza lançadores múltiplos de foguetes BM-30 Smerch e TOS-1A, além de mísseis balísticos Iskander-E, capazes de engajar alvos a distâncias de até 280 quilômetros. A defesa anticarro é reforçada por sistemas Kornet-EM montados em veículos leves.
Uma Marinha voltada para o Mediterrâneo
A Marinha da Argélia é estruturada para vigilância marítima e para a proteção de rotas de navegação no Mediterrâneo ocidental. A força submarina é composta por quatro unidades da classe Kilo II e dois submarinos da classe Kilo, oferecendo capacidade de dissuasão e patrulha de longo alcance.
Na superfície, a frota reúne três fragatas da classe Adhafer, três fragatas da classe Koni e duas fragatas da classe MEKO A200. Esses navios formam o núcleo de combate naval do país e permitem missões de escolta, vigilância e controle marítimo.
A marinha ainda opera quatro corvetas da classe Djebel Chenoua, três corvetas da classe Nanuchka e uma corveta Tipo 056 de origem chinesa. A isso se somam três caça-minas da classe Lerici e uma ampla frota de patrulheiros costeiros, composta por 41 unidades da classe Ocean, 14 da classe Kebir, 12 da classe Alusafe 2000 e oito da classe Osa II.
Últimas incorporações
Em paralelo, a Argélia segue avaliando tecnologias para ampliar as suas capacidades militares. Entre os sistemas analisados nos últimos anos está o veículo aéreo não tripulado WJ700, desenvolvido pela Corporação de Ciência e Indústria Aeroespacial da China (CASIC). Esse drone, de média altitude e grande autonomia, foi concebido para missões de reconhecimento, vigilância e ataque, com autonomia declarada de até 20 horas.
No conjunto, as Forças Armadas da Argélia chegam a 2026 com uma estrutura que combina grande efetivo, uma capacidade blindada expressiva, uma aviação de combate em crescimento e uma marinha pronta para operar no Mediterrâneo. As recentes entradas em serviço dos caças Su-35S e Su-57E também evidenciam a continuidade de um ciclo de modernização voltado a manter o país entre as principais potências militares africanas.
Imagens meramente ilustrativas.
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