- Por Ignacio Mansini.
Na madrugada de hoje, 3 de Janeiro, mais exatamente a partir das 0215hs (horário de Caracas), teve início a operação militar amplamente anunciada e aguardada por muitos: uma ação dos Estados Unidos com o objetivo de capturar Nicolás Maduro, derrubar seu governo de facto e atingir a organização narco-criminosa conhecida como “Cartel de los Soles”.
Contexto inicial e primeiras ações
O que se sabe com certeza?
Por volta das 0215 da manhã em Caracas, passaram a ser ouvidas explosões intensas, acompanhadas do ruído bastante característico do deslocamento de uma coluna de helicópteros. As aeronaves seriam de unidades do 160th Special Operations Aviation Regiment (SOAR), os Night Stalkers - um grupo especialmente equipado e treinado para conduzir assaltos aerotransportados noturnos atrás das linhas inimigas, com apoio muito limitado e, em algumas ocasiões, inexistente de outras forças.
Esse regimento atua desde 1983, quando participou das operações em Granada, e depois esteve envolvido em missões de alto risco no Iraque, Kuwait, Mogadíscio, Afeganistão e, agora, a Venezuela passa a integrar essa lista.
Alvos atingidos, defesa antiaérea e ataques de precisão
Em paralelo, foi conduzido um ataque com armamento guiado contra pontos estratégicos, buscando bloquear qualquer reação, mesmo que mínima. A ênfase, segundo as informações disponíveis, foi retirar a capacidade de resposta dos lançadores de mísseis antiaéreos S-300 e Buk M2-E (já há imagens desses sistemas destruídos, incluindo os posicionados na base aérea de La Carlota).
A ofensiva também teria mirado as principais bases aéreas para impedir a decolagem de aviões e helicópteros, além de provocar caos interno por meio de ataques às comunicações, atrasando toda tentativa de coordenação de uma resposta por forças leais a Maduro.
Até o momento em que estas linhas foram escritas, foram verificados ataques contra: Base Aérea Teniente Vicente Landeata Gil, sede do Comando de Caça n°12 (Barquisimeto); o aeroporto internacional Arturo Michelena (Valencia); a Base Aérea Francisco Mirando – La Carlota, sede do Comando Geral de Aviação Bolivariana (Caracas); a Base Aérea multipropósito “Luisa Cáceres de Arismendi” (Ilha Margarita); o Comando Aéreo Misilístico Higuerote (Higuerote); e o Aeropuerto Metropolitano SVMP (Santa Bárbara).
Registros feitos por civis durante os ataques permitem reconhecer o emprego tanto de mísseis quanto de bombas guiadas, supostamente lançadas por F-35 deslocados para o Caribe há várias semanas.
Ainda dentro de Caracas, outros alvos pontuais também teriam sido atingidos, embora, até agora, não esteja claro o que - ou quem - foi atacado nesses locais. Entre os pontos mencionados está a área do mausoléu de Hugo Chávez; não se sabe se ali estariam posicionados sistemas antiaéreos ou algum tipo de equipamento militar.
Por outro lado, é importante destacar que, até este momento, não surgiram provas documentadas de ataques à Base Aérea Teniente Luis de Balle García (Barcelona), considerada uma das principais bases de operação dos caças SU-30 nos últimos tempos. Filmagens oficiais indicam que um grupo de até quatro dessas aeronaves operou a partir dali até 30 de Dezembro.
Night Stalkers e a escolha do Fuerte Tiuna
Após o ataque inicial, os Night Stalkers teriam seguido em direção ao Fuerte Tiuna para realizar a captura de Nicolás Maduro e, de forma surpreendente, também de sua esposa. Essa observação é apontada como relevante porque seria a primeira vez que um ditador/presidente, ao ser alvo de uma ação após pedido de captura, estaria abrigado junto a familiares - o que abre especulações sobre a hipótese de uma entrega, seja por parte de Maduro, seja por algum subordinado.
Quando as tropas já estavam em solo venezuelano e avançavam para entrar no ponto fortificado onde Maduro e sua esposa estariam, moradores próximos ao Fuerte Tiuna gravaram, dentro do que a noite permitiu, ações de apoio realizadas por helicópteros MH-60M Black Hawk. Nas imagens e relatos, menciona-se fogo a curta distância com metralhadoras rotativas GAU-19 e o uso de foguetes, abatendo a pouca resistência registrada dentro das instalações. Como indício disso, existem poucas filmagens nas quais se ouvem áudios de breves trocas de tiros.
Também se afirma que a larga experiência dos Estados Unidos nesse tipo de ataque teria permitido impor um golpe crítico e letal sobre as unidades venezuelanas designadas para dar a primeira resposta. Isso seria evidenciado pelo fato de que, até agora, não houve registro oficial - nem por parte da população - de deslocamentos militares terrestres, navais ou aéreos, apesar do discurso de Vladimir Padrino López.
Por que Fuerte Tiuna?
Há cerca de um mês circulavam versões de que Nicolás Maduro e sua comitiva estariam refugiados nas instalações do Fuerte Tiuna. Por ser um grande complexo militar que abriga academias, unidades de combate e também o Ministerio del Poder Popular para la Defensa, o regime teria considerado o local o mais seguro e mais fácil de manter sob controle, especialmente por concentrar pessoal visto como de máxima confiança.
Além disso, essa fortaleza militar teria a vantagem de estar no limite sul de Caracas, fazendo divisa com áreas de selva entre montanhas - um terreno no qual não seria surpreendente a existência de planos e rotas de fuga para evacuação em situações de emergência.
Planejamento, inteligência e coordenação aérea
Uma operação militar desse porte não acontece de um momento para o outro. Ela exige planejamento extremamente minucioso, além de relatórios de agentes de inteligência em campo para fornecer plantas, avenidas de aproximação, rotas de saída e planos de contingência caso algo dê errado. Exige ainda informações detalhadas das instalações a serem assaltadas, para que as forças envolvidas conheçam previamente as particularidades do local e da área de atuação, bem como os prováveis pontos de resistência e os lugares onde os alvos estariam.
Também é mencionada a necessidade de coordenação com aeronaves que participariam de forma discreta, oferecendo guerra eletrônica, inteligência de sinais e comunicações, reabastecimento de combustível em voo e disponibilidade para reagir a qualquer tentativa de decolagem por parte de aeronaves venezuelanas.
Por fim, não se pode deixar de lado a preparação de aeronaves, armamentos e munições - entre outros elementos vitais que demandam tempo, mas são apresentados como indispensáveis para garantir o sucesso da missão.
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