A startup C12, de Paris, acaba de fazer um movimento de peso ao anunciar a contratação de Julien Sarry para liderar sua equipe de engenharia. A chegada dele é vista como um passo estratégico para transformar uma tecnologia quântica promissora em um produto industrial - sinal de que o setor está acelerando, com a França ganhando destaque.
Um reforço vindo da Apple
Julien Sarry traz um perfil raro para esse estágio do projeto. Ele passou quase oito anos na sede da Apple, em Cupertino, onde conduziu a integração de módulos LiDAR e de câmera que equiparam várias gerações de iPhone Pro e iPad Pro.
Antes disso, ele cofundou uma startup focada em detecção LiDAR. As tecnologias desenvolvidas ali seguem, até hoje, integradas ao portfólio da finlandesa Vaisala - referência mundial em instrumentos de medição e inteligência voltados à ação climática.
Da tecnologia de ruptura ao produto industrial
Ao longo de quinze anos de carreira, Sarry se especializou em fazer uma inovação “sair do laboratório” e virar um produto industrial, reproduzível e escalável em grande volume. É exatamente essa competência que a C12 busca agora.
A tarefa dele é montar as capacidades de produção, teste e validação necessárias para levar a tecnologia quântica da empresa do laboratório à fábrica.
“O quântico está hoje em uma virada comparável [ao LiDAR] : a ciência já existe, e todo o desafio agora é torná-la fabricável, confiável e reprodutível”, resume ele.
Uma abordagem única na indústria
Fundada em 2020, a C12 desenvolve computadores quânticos baseados em nanotubos de carbono. Esses filamentos, mil vezes mais finos do que um fio de cabelo, servem de suporte para seus qubits - as unidades de processamento da computação quântica.
Enquanto grande parte do setor tenta corrigir erros depois que eles acontecem, a C12 aposta na pureza extrema do material para evitar que esses erros surjam desde o início.
Roteiro de processadores e meta para 2033
É essa visão que Sarry deverá transformar em processos industriais. Em abril, a C12 apresentou um plano em quatro gerações de processadores, com a meta de entregar um computador quântico tolerante a falhas, integrável em um data center convencional, até 2033.
“A industrialização é o verdadeiro desafio da computação quântica : é ela que separa a promessa científica do produto”, afirma Pierre Desjardins, cofundador e CEO da C12.
A empresa soma hoje 80 colaboradores - ante 45 há um ano - e pretende chegar a 120 até o fim do ano.
Nossa análise
A contratação acontece em um momento especialmente positivo para o ecossistema quântico francês. Em 22 de maio, Emmanuel Macron anunciou um investimento adicional de 1 bilhão de euros na cadeia do setor, elevando o esforço nacional para mais de 3 bilhões desde 2021.
E os principais atores do país seguem no mesmo ritmo. Além da C12, a Pasqal - pioneira em qubits de átomos neutros - e a Alice & Bob - especializada em qubits “gato” - também aceleram. Trazer um ex-Apple reforça uma mensagem clara: a capacidade da França de atrair talentos de nível mundial para temas de deeptech.
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