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Após a evolução do projeto T-40 Newen, que foi apresentado e depois exibido na FIDAE 2026, o desenvolvimento de uma nova aeronave turboélice multipropósito voltada às Forças Armadas do Chile avançou de forma decisiva com a assinatura do contrato para a elaboração do Estudo Básico de Investimento e Engenharia (EBI). A iniciativa, conduzida em conjunto pela Força Aérea do Chile (FACh), pela Armada do Chile e pela Empresa Nacional de Aeronáutica (ENAER), tem como objetivo definir os fundamentos técnicos e econômicos que sustentarão o desenho e a construção de um novo avião, destinado a ampliar capacidades de instrução e de operação de ambas as instituições e, ao mesmo tempo, reforçar o desenvolvimento aeronáutico nacional.
Contrato do EBI do turboélice multipropósito com ENAER, FACh e Armada do Chile
O acordo foi formalizado ontem, quinta-feira, dia 11 do mês corrente, nas instalações da ENAER, durante uma cerimônia que contou com a presença do Diretor-Geral dos Serviços da Armada, vice-almirante César Delgado; do Comandante da Aviação Naval, contra-almirante Luis Felipe Díaz; do Comandante do Comando Logístico da FACh, general aviador Miguel Stange; e do diretor-executivo da ENAER, Henry Cleveland, além de representantes das três organizações envolvidas. O evento foi apresentado como um momento de cooperação entre instituições, voltado ao fortalecimento de capacidades estratégicas por meio de uma solução concebida e desenvolvida no Chile.
De forma objetiva, o convênio viabiliza a realização de um estudo de viabilidade técnico-econômica para o projeto, o desenvolvimento e a fabricação de um sistema de armas composto por uma nova aeronave turboélice e seus subsistemas complementares. A futura plataforma deverá atender às necessidades de formação de pessoal e ao cumprimento de múltiplas missões realizadas tanto pela Aviação Naval quanto pela Força Aérea, posicionando-se como um recurso compartilhado pelas duas forças.
Sobre esse marco, o diretor-executivo da ENAER, Henry Cleveland, ressaltou a dimensão estratégica da iniciativa ao afirmar: “Com este contrato damos o pontapé inicial de um projeto extremamente importante para as instituições da Defesa e para a indústria aeronáutica nacional. A indústria estratégica de defesa está adquirindo um papel preponderante no desenvolvimento tecnológico nacional. É de suma relevância que a Armada e a Força Aérea caminhem por uma senda comum neste projeto de sistema turboélice multipropósito, demonstrando a vontade e a convicção de impulsionar conjuntamente o desenvolvimento tecnológico em benefício de ambas as instituições e do país em geral”.
Do T-40 Newen ao futuro turboélice multipropósito
A origem desse programa já vinha sendo traçada meses antes, durante a FIDAE 2026, quando a apresentação do treinador ENAER T-40 Newen simbolizou o retorno da empresa estatal ao desenho e à produção de aeronaves, após décadas desde o desenvolvimento do T-35 Pillán. Naquele cenário, a ENAER também antecipou a intenção de iniciar o estudo de um novo avião turboélice com desempenho superior ao do Newen, pensado ainda como parte de um ecossistema completo de instrução, apoiado por simuladores, ferramentas de planejamento de missão e sistemas avançados de treinamento desenvolvidos em parceria com a DTS.
Necessidades operacionais da FACh e da Aviação Naval
Um dos pontos centrais do futuro Sistema Turboélice Multipropósito é justamente a capacidade de responder a demandas convergentes das duas instituições. Para a Armada do Chile, o programa surge associado a uma eventual substituição de suas aeronaves Pilatus PC-7; já para a FACh, a nova plataforma pode representar um degrau intermediário na formação de pilotos, situado entre o T-40 Newen e aeronaves de maiores capacidades, como o EMB 314 Super Tucano.
Se o projeto se concretizar conforme o planejado, o Chile não apenas caminhará para uma renovação gradual de seus meios de instrução - evitando longos intervalos sem atualização tecnológica, como ocorreu entre o Pillán e o Newen -, como também avançará na consolidação de uma estratégia de desenvolvimento aeronáutico contínuo. Essa estratégia se apoiaria em capacidades industriais próprias, em maiores níveis de autonomia tecnológica e em uma possível projeção para mercados internacionais.
Imagem de capa usada apenas para fins ilustrativos.
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