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Empresas espanholas se unem para uma alternativa ao FCAS/NGWS
Com a desativação do programa Future Combat Air System/Next Generation Weapon System (FCAS/NGWS), o setor aeroespacial espanhol decidiu alinhar esforços industriais para buscar uma alternativa que viabilize um sistema de combate aéreo de última geração para o Exército do Ar e do Espaço da Espanha e para forças armadas europeias. Na quinta-feira (11), representantes da Airbus Defence and Space, GMV, Grupo Oesia, Indra Group, ITP Aero e Sener assinaram uma declaração conjunta de compromisso, consolidando uma posição comum perante o Ministério da Defesa da Espanha e parceiros europeus, com o objetivo de analisar a continuidade ou a evolução desse projeto de defesa aérea.
Segundo o texto do posicionamento, a indústria espanhola ligada ao NGWS coloca à disposição do ministério e de potenciais parceiros suas capacidades e recursos para orientar os próximos passos do futuro sistema de combate. Esse conjunto inclui um caça de sexta geração, plataformas não tripuladas, equipamentos de comunicações e sensores avançados.
Em paralelo ao movimento espanhol, oito empresas alemãs dos setores aeroespacial e de defesa optaram por um anúncio semelhante, formando uma aliança conjunta com foco em um programa de modernização das capacidades europeias de defesa e de combate aéreo.
Impasse entre Alemanha e França e a crise do programa europeu
Em um ambiente marcado por incertezas, Alemanha e França encerraram o projeto FCAS, comprometendo o programa pensado para substituir os caças furtivos Eurofighter Typhoon e Dassault Rafale atualmente em serviço em suas respectivas forças aéreas. As tratativas recentes entre a francesa Dassault Aviation e a Airbus - que representa Alemanha e Espanha - não avançaram; divergências industriais, administrativas e logísticas entre as empresas europeias chegaram ao ponto crítico nos primeiros meses do ano, colocando em xeque o futuro do grande programa europeu de defesa aérea.
“Todos queremos a ‘Europa da defesa’, mas a pergunta é: quem vai liderá-la?”, afirmou Eric Trappier, presidente e diretor executivo da Dassault Aviation, durante a conferência de segurança War & Peace, em Paris.
Como o FCAS foi concebido: NGF e a “Combat Cloud”
O FCAS foi lançado por França e Alemanha em 2017 com a proposta de entregar às forças armadas europeias um sistema de combate complexo. O eixo central do programa estava no desenvolvimento de um caça tripulado de sexta geração - chamado New Generation Fighter (NGF) - conectado a um ecossistema com plataformas não tripuladas, capacidades de combate colaborativo, sensores avançados e uma arquitetura de informações conhecida como “Combat Cloud”.
Na prática, essa rede digital deveria potencializar a integração entre os diferentes meios, permitindo que o piloto do caça controlasse, em tempo real, uma frota de veículos não tripulados, de maneira complementar ao andamento da missão.
Papel da Indra Group e efeitos para o Exército do Ar e do Espaço
Com a entrada da Espanha no FCAS, a parcela tecnológica e de comunicações dos futuros caças de sexta geração ficou sob responsabilidade da empresa espanhola Indra Group, que trabalhou em conjunto com a Celestia TTI no desenvolvimento dos sistemas de comunicações. A interrupção do programa coloca a Espanha em um cenário indefinido quanto ao futuro da superioridade aérea de combate do Exército do Ar e do Espaço.
Vale lembrar que o país havia deixado de lado a compra de aeronaves F-35 Lightning II apostando no avanço do caça europeu NGF. Nesse contexto, novas iniciativas passam a ganhar espaço como alternativas para orientar as estratégias espanholas de modernização do poder aéreo. Já a Alemanha, por sua vez, sinaliza a chegada do seu primeiro caça norte-americano após o início da montagem final.
“Não podemos nos dar ao luxo de perder mais tempo”, registraram os representantes da indústria espanhola na declaração conjunta. A articulação entre Airbus Defence and Space, GMV, Grupo Oesia, Indra Group, ITP Aero e Sener evidencia uma abordagem integrada para impulsionar o desenvolvimento do NGWS em benefício das forças aéreas espanhola e europeia.
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