Um dos grandes desafios dos últimos anos, com a passagem dos carros a combustão para os elétricos, tem sido o alto custo das baterias.
O preço das baterias não caiu no ritmo previsto há alguns anos - o valor do kWh chegou até a subir em 2022 - e, por isso, torna-se essencial buscar alternativas.
Uma das opções que vem ganhando destaque são as baterias LFP (fosfato de ferro-lítio), cerca de 20% mais baratas do que as baterias NMC (níquel, manganês, cobalto). As duas são de íons de lítio, e a diferença de custo está nos materiais usados em sua composição.
Existe, porém, uma alternativa ainda mais econômica: as baterias de íons de sódio. Elas se diferenciam por não utilizarem lítio e, como o sódio é o sexto elemento mais abundante do planeta, conseguem ser de 10% a 20% mais baratas do que as LFP. Esse custo pode cair ainda mais caso a produção seja ampliada em larga escala.
Se as baterias de sódio podem ser tão mais baratas, por que ainda não as vemos nos carros elétricos? A principal explicação está na densidade energética, que é menor do que a das baterias LFP, que por sua vez também fica abaixo da das baterias NMC.
Agora, a empresa sueca Northvolt, uma das maiores fabricantes de baterias da Europa, afirma ter desenvolvido uma nova bateria de íons de sódio com densidade energética de 160 Wh/kg. Trata-se de um valor de referência nessa categoria e comparável ao das atuais baterias LFP.
“(…) estou muito satisfeito por poder dizer que desenvolvemos uma tecnologia que permitirá (…) acelerar a transição energética. (…) este tipo de tecnologia de baterias é crucial para alcançar metas globais de sustentabilidade, tornando a eletrificação mais económica, sustentável e acessível no mundo.”
Peter Carlsson, CEO e cofundador da Northvolt
A Northvolt não está sozinha nessa corrida pelas baterias de sódio. As gigantes chinesas CATL e BYD também participam. A BYD, por exemplo, anunciou há poucos dias que construirá sua primeira fábrica de baterias de íons de sódio, com capacidade anual de 30 GWh.
Ainda assim, esse avanço da Northvolt é uma boa notícia para a Europa, que pode encontrar nas baterias de sódio e em sua produção local uma forma de reduzir a dependência crescente da China no fornecimento de baterias para os carros elétricos europeus.
Vantagens e desvantagens
As baterias de sódio funcionam exatamente da mesma maneira que qualquer outra bateria: existe um cátodo e um ânodo, e entre eles circulam íons de sódio (em vez de íons de lítio), gerando eletricidade.
No entanto, ao contrário das baterias NMC e LFP, essas baterias são mais seguras, mais baratas, mais sustentáveis e produzidas com minerais abundantes e regionais (ferro e sódio). Em contrapartida, o sódio é mais pesado que o lítio, o que, combinado com a menor densidade energética em geral, pode fazer com que os elétricos fiquem ainda mais pesados do que já são.
“A nossa tecnologia de iões de sódio oferece o desempenho necessário para permitir o armazenamento de energia com uma maior duração do que as baterias químicas alternativas, a um menor custo, abrindo assim novos caminhos para a implantação de geração de energia renovável.”
Peter Carlsson, CEO e cofundador da Northvolt
Devido ao custo mais baixo e à tolerância desse tipo de bateria a altas temperaturas, a Northvolt pretende levar essa tecnologia para outros mercados além do europeu, como África, Oriente Médio e Índia, e utilizá-la principalmente para armazenamento de eletricidade.
Veremos essa bateria de sódio chegar aos automóveis? Ela já pode ser usada em alguns tipos de veículos, mas provavelmente ainda não. A Northvolt afirma que a próxima geração desse tipo de bateria, que promete densidade energética maior, será mais adequada para carros.
Embora já seja uma das maiores fabricantes de baterias da Europa, a Northvolt foi fundada apenas em 2016, em Estocolmo, na Suécia. Atualmente, fornece baterias de íons de lítio para BMW, Scania, Volvo Cars e Grupo Volkswagen.
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