Outubro Rosa: vitória contra o câncer de mama

Neste mês de combate e prevenção ao câncer de mama, três mulheres que passaram pela doença contam sua experiência, esperando ajudar outras mulheres que passam pela doença, bem como incentivar a todas as mulheres a realizarem exames rotineiros, pois o diagnóstico precoce é a chave da cura.

Carmen Mocellin Knechtt foi diagnosticada com câncer de mama em maio de 2008, aos 45 anos. Ela conta que percebeu um líquido marrom achocolatado que saia do mamilo. Pouco. Quase imperceptível. Ela procurou um médico em seguida e começou os exames.
- No início eu fiquei apavorada. Os médicos diziam que provavelmente não era nada, mas, dentro de mim eu sentia que era – lembra Carmen.
Depois do diagnóstico ela passou por quatro cirurgias em dois meses. Cada vez o resultado era pior.  Na última, acharam que estava tudo resolvido. Mas, meses depois veio a recidiva. A partir daí Carmen começou a fazer quimioterapia. Mas, a doença resistia. A cada etapa o medicamento precisava ser trocado. Foram nove sessões de quimioterapias. Então, Carmen e seus médicos optaram por uma vacina Herceptng, a qual faz até hoje, a cada 21 dias. Além disso, fez 33 sessões de radioterapia. 
Desde então, Carmen realiza exames a cada quatro meses.
- Os médicos dizem que é surpreendente como estou conseguindo ir adiante. Estão estudando o caso – conta Carmen – “Eu digo que é Deus que me mantém de pé. ELE, somente ELE,  tudo pode.  Tive épocas de total desespero, desânimo... Além da fé,  do tratamento médico, também faço uso constante do bicarbonato de sódio,  graviola e tomei paralelo a quimio,  o líquido da planta aveloz,  que me foi dada por um casal de amigos,  clientes do Banrisul. Passei pelo tratamento, com todos os efeitos colaterais: desmaios,  perda de cabelo,  unhas,  paladar, tato. Escamação dos pés (que tenho até hoje).  Passei por muita angústia e até desespero, mas nunca culpei Deus e nem perdi a fé.  Contei com o apoio incondicional de meu marido, meus filhos, minha família, vizinhos e amigos. Também fiz e faço acompanhamento psicológico. O que é certo é que não podemos perder as esperanças. Mesmo não sentindo o gosto dos alimentos, temos que nos alimentar.  Diminui o consumo da carne e não ingiro mais leite, a não ser o leite de cabra.  Não penso na doença e nem penso em mim como uma pessoa doente. Tento levar a vida da melhor forma possível, mesmo que às vezes venha o baixo astral. Procurar sempre ler e ouvir coisas positivas.  Nunca se tornar uma vítima da situação, virar o jogo a seu favor”.
 
Isabel Cristina Turatti recebeu seu diagnóstico de câncer de mama em 2005, ao completar 24 anos. Ela conta que normalmente fazia auto- exame e sentiu ao tocar, um nódulo palpável diferente do normal, mas até então nada preocupante. Coincidência ou não, faltavam 20 dias para sua consulta médica de rotina. Assim, na consulta, relatou o que havia notado e pediu que considerasse realizar os exames necessários. Primeiramente, a médica informou que poderia ser alguma modificação hormonal e como não apresentava nenhum sintoma de dor ou incômodo perceptível notado, disse que poderia ser normal da idade. Solicitou primeiramente o exame de ultrassografia ou ecografia mamária, pois não era indicado nesta idade para o diagnóstico de imediato a realização da mamografia. 
Ao realizar o exame naquela mesma semana, retornou para avaliação, orientada a acompanhar nos próximos meses. Porém, optou em procurar especialista. Consultou com quatro mastologistas. Um deles, já na primeira consulta, solicitou uma série de exames por considerar novamente a idade, bastante atípica (Isabel foi a segunda paciente com menos de 30 anos). Entre tantas informações, esclareceu que o tempo é fundamental nestes casos e agilidade no diagnóstico pode ser decisiva. 
Após três ou quatro dias, já realizaram exames e a biópsia. Foi esclarecido à Isabel que seria necessária uma cirurgia de retirada do nódulo, visto a dificuldade no diagnóstico. Somente após a retirada do nódulo, recebeu o diagnóstico de câncer de mama.
- É um momento único, que parece inevitável o que sentimos, ali impotentes, e em segundos um vazio enorme e em seguida todas as dúvidas sobre tudo surgem, buscando compreender o porquê, mas  que tomei como oportunidade, pois ninguém escolhe ter um câncer, mas a forma como vai reagir e lutar por cada chance é sim de cada pessoa. Apesar de não ser fácil, como foram as palavras do médico, cada caso tem suas características e além de todos os cuidados médicos, métodos e avanços da medicina ainda dependem muito de cada um. Todos os fatores contribuem para o êxito ou não nos processos de tratamento e cura. Todas as etapas do processo de tratamento trazem grande impacto e modificações na rotina de vida e atitudes, assim como efeitos colaterais que para muitos interferem, não somente em mudanças estéticas mas também psicológicas. Neste momento a participação e influência de família e amigos é fundamental para que sejamos fortalecidos. Me sinto privilegiada por receber tanto carinho, apoio e proteção de todos como família amada, amigos e colegas de trabalho e todas as formas nos fortalecem para vencer cada etapa como se fosse simples.
Desde o diagnóstico e durante todo meu tratamento, segui todas as recomendações médicas e posso dizer que todas as etapas ocorreram dentro dos prazos planejados pela equipe. Durante a quimioterapia, alguns dias precisei me afastar do trabalho, e aulas, mas dentro do possível sempre manter a rotina, desacelerar, mas não parar, a ocupação nos deixa fortalecidos e menos suscetíveis à depressão. Quando na segunda sessão de quimioterapia chegou o momento talvez mais impactante para a maioria das mulheres, a inevitável queda do cabelo, talvez por entender que seria uma fase, não senti como dificuldade ou que estaria perdendo minha identidade...Vivendo situações por vezes até engraçadas, como no dia em que os poucos cabelos que restavam após o corte foram recolhidos por mim e pelo Juliano(imprescindível companheiro nessa batalha e em cada dia e cada sentimento), quando já pela sensação de desconforto ao tocar/pentear, utilizei um secador de cabelos e sem querer acabei espalhando tudo na parede do banheiro(risos).
Acredito que a quimioterapia seja a mais complicada, porém as sessões de radioterapia exigem talvez ainda mais dedicação sendo realizadas em sessões diárias e com carga bastante considerável, como no meu caso foram 43 sessões, com a sequência de tratamentos a hormonioterapia ou o que se aplicar a cada caso. 
Se eu pudesse falar a todas as mulheres, não somente às que estão passando por câncer de mama, diria que estejam atentas ao seu corpo, se conheçam, sejam prioridade em seus sentimentos e a partir do conhecimento e alertas a todas as modificações que possam surgir, teremos através de conhecimento e controle o diagnóstico precoce, que salva vidas e eleva muito as chances de cura, ter mais qualidade de vida em todos os segmentos(pessoal e profissional), com atenção à alimentação saudável, evitando sedentarismo, reduz os riscos e resulta em mais controle sobre sua saúde. Às que por ventura estejam neste momento passando pelo tratamento, receberam o diagnóstico ou ainda venham a ser diagnosticadas, já citei acima, não escolhemos ter um câncer, mas escolhemos a forma como vamos lutar e vencer. Portanto, não se deixe abater, o tratamento é difícil sim, mas não é impossível e essa consciência faz toda a diferença nos resultados. Nos descobrimos muito mais fortes do que pensamos ser, por mais adverso que pareça ser cada situação, sempre decida por viver, faça  tudo o que for possível para viver mais e melhor.  Depois do câncer penso não tem tempo ruim, todos os momentos valem a pena, por todos os pequenos detalhes”.
 
Joelci Schena recebeu seu diagnóstico de câncer de mama aos 46 anos de idade, em 2007. Ela detectou a doença fazendo o auto-exame em casa. Percebeu um nódulo no seio e logo marcou consulta com a doutora Ângela Nichel Garcia. A médica pediu uma ecografia que confirmou o nódulo, que foi retirado e então confirmou-se o tumor maligno.
Ela conta que o início foi muito difícil.
- Na época, falar em câncer era muito difícil, parecia uma coisa sem volta, mas com o apoio da família e muita vontade de viver fui em frente. Muitas vezes a vontade era desistir, pois fiquei muito debilitada. Eu ia pra Lajeado pra fazer as quimioterapias e minha imunidade estava baixa, tinha que voltar pra casa sem quimioterapia pra me recuperar um pouco – lembra Joelci.
Ela afirma que a base de tudo, para vencer o tratamento, é a família. 
- Sem apoio, sem o amor da família, hoje eu não estaria mais aqui, mas graças a Deus, hoje me sinto muito bem, superei a doença. Foram cinco cirurgias em 20 meses de tratamento – conta.
Para as mulheres que estão passando por isso, Joelci diz que é preciso ter fé em Deus, apoio dos amigos, vizinhos e principalmente da família, seguir as orientações médicas e não baixar a cabeça.
- Se colocar pra baixo é o caminho mais rápido pra terminar com a vida – enfatiza.
 
 
 

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