JNB 288 - 24 de abril de 2014

Amizade
Muito se escreveu, e muito se escreverá ainda sobre o tema “amizade”. Isso porque o assunto nunca se esgotará. Mais que uma palavra, “amizade” é uma forma de vida, um jeito de ser e de viver.
Não importa a distância. Ou como se diz habitualmente, a distância é o que menos conta. Ou também: a presença física não é relevante.
São expressões que, de alguma forma, servem para avaliar a solidez de uma amizade. E existe coerência, pois a amizade, quando verdadeira, sólida, não resultado de momentos de impulsos, dispensa a obrigatoriedade do contato físico (ou da presença como muitos preferem) para se manter acesa. A chama da amizade se alimenta da realidade dos amigos, que supõe honestidade, transparência e muito altruísmo. Anos de distância física não exterminam uma amizade. Nem diminuem a sua intensidade. Também não a colocam em dúvida. A amizade é para sempre.
Ora, se a amizade é para sempre, é óbvio que os amigos também são para sempre. Quando os amigos se vão, desaparecem da nossa vida, estão declarando formalmente que não eram amigos, mas apenas colegas, companheiros de jornada, etc., que se uniram a nós por interesses pessoais (conscientes ou inconscientes). Às vezes apenas sentiram necessidade de amparo e viram em nós um ponto de apoio seguro, uma bengala, algo que lhes desse alento pontual, mas que no primeiro momento de dificuldade, ou quando imaginaram que não teriam mais necessidade, desapareceram. Outras vezes buscam amigos para auferir privilégios, ou para obter vantagens pessoais. São os pseudo-amigos. Não diria sequer que são falsos amigos, mas apenas supostos amigos. Essas pessoas provavelmente nunca terão amigos, porque a todos tratarão dessa mesma maneira. E quando perceberem, estarão sozinhos. E será tarde.
Os amigos são para sempre. Talvez seja por isso que são poucos. A vida os seleciona e permanecem conosco apenas os amigos de verdade. Os outros se vão. E apesar desse fato às vezes nos surpreender, ou de nos deixar entristecidos, logo percebemos que não eram amigos e que foi bom que tenham ido.
A amizade verdadeira nos dá a certeza de que não andamos sozinhos, mesmo que pareça estarmos completamente desacompanhados. A lembrança de nossos amigos atenua a nossa angústia, dando-nos a certeza de que estão sempre conosco em espírito e sempre torcendo muito por nós. E a recíproca é verdadeira. Do contrário a amizade não subsistiria.
A lembrança da convivência passada, das palavras trocadas, da certeza de que tudo é recíproco ajuda a trilhar pela senda segura. A amizade permite, mesmo na distância, viver momentos iguais com os amigos, mesmo que de forma diferente. Permite renovar o normal a cada dia, tornando-o diferente, inédito, mais aprazível. Essas atitudes modificam a nossa vida no dia a dia. É o crescimento originado pela certeza de estar sempre acompanhado, mesmo que a milhares de quilômetros de separação física, permitindo o crescimento mútuo, homogêneo.
Quando se tem amigos, as contingências da vida não passam de rotinas, podendo ser transpostas uma a uma, dia após dia, com a coragem daqueles que sabem que a melhor de todas as vitórias é aquela em que participam as pessoas mais queridas.
A amizade, no silêncio dos momentos intensos ou morosos de nossa vida, nos transforma lentamente, tornando-nos diferentes, e mais felizes.
* Enio J. Macagnan
www.eniomacagnan.blogspot.com

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