Coluna do Zé

José Moreira da Silva (Presidente da Academia Literária Gaúcha)

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JNb 254 - 23 de novembro de 2012

 

O MENINO VENDEDOR
 
Cocada e água!
Cocada e água!
 
A voz do menino ecoava,
na estação  ferroviária
da cidade de Paudalho.
E quando o trem despontava:
chá-com-pão, bolacha-não,
o menino mais gritava:
são duas por um tostão.
 
O povão desembarcava
e um de bengala e gravata
condoído se aproximava:
- compro tudo, vai embora;
vai para a escola, menino.
 
Não senhor, seu coroné,
eu vendo porque estudo,
minha escola é de manhã,
só à tarde venho pra cá,
apurar algum dinheiro,
pra pagar a professora;
eu quero ser vendedor.
Se o senhor comprar  tudo,
eu não aprendo a vender.
Eu gosto de ver os trens
nas chegadas e partidas
e tenho minha freguesia.
 
Lá vem o trem, coroné,
me deixe que vou vender
uma-a-uma até acabar,
a minha gente tem sede,
quer a água pra tomar.
 
Depois, quando o trem partir,
fico olhando até sumir,
dentro do canaviá.
 
Um dia embarco no trem,
vou pra longe, vou com ele,
não sei pra onde,mas vou.
 
- Ta bom, vendedor menino,
dá-me uma e com copo de água
e vai cumprir teu destino.
O menino foi crescendo,
embarcou no trem da vida
de Paudalho a Recife,
do Recife foi ao mundo,
sempre vendendo esperança.
Casou-se criou os filhos
e os fez todos doutores,
tal qual o homem de preto,
de bengala e de gravata,
depois também se formou
e se fez advogado,
para que os outros meninos,
para poderem estudar,
não vendam cocada e água.
 

JNB 250 - 28 de setembro de 2012

 

Palavras de Ordem
 
São as mesmas caras, os mesmos homens, as mesmas mulheres, as mesmas idéias. Nada se renova, tudo é igual e será sempre igual, tediosamente igual, perfeitamente igual -  se não fizermos uma revolução.
A revolução destrói, avassala, leva de roldão o monturo do tempo, queima e soterra a podridão, e das cinzas, como por um milagre, brota a vida renovada, airosa e bela, com a roupagem do capim verde que nasce após as queimadas; há uma substituição geral: os cantos de antanho se apagam das pautas musicais; as vozes vêm maviosas ecoando por entre vales e montanhas; os pássaros são outros trazendo, no bico, talos para os novos ninhos; os insetos, outros, alados seres ao sopro de novos ventos; a natureza vem com todos os seus tesouros renovados, porque a revolução é a transformadora universal e única. Sem revolução, fica-se na mesmice: o sol continua saindo e se pondo, a lua, em suas quatro fases, tem a mesma brancura, a  imagem do santo é a mesma sobre o cavalo; a onda continua vindo à praia

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Coluna do zé - edição 250- 28 de setembro de 2012

 

Palavras de Ordem
 
São as mesmas caras, os mesmos homens, as mesmas mulheres, as mesmas idéias. Nada se renova, tudo é igual e será sempre igual, tediosamente igual, perfeitamente igual -  se não fizermos uma revolução.
A revolução destrói, avassala, leva de roldão o monturo do tempo, queima e soterra a podridão, e das cinzas, como por um milagre, brota a vida renovada, airosa e bela, com a roupagem do capim verde que nasce após as queimadas; há uma substituição geral: os cantos de antanho se apagam das pautas musicais; as vozes vêm maviosas ecoando por entre vales e montanhas; os pássaros são outros trazendo, no bico, talos para os novos ninhos; os insetos, outros, alados seres ao sopro de novos ventos; a natureza vem com todos os seus tesouros renovados, porque a revolução é a transformadora universal e única. Sem revolução, fica-se na mesmice: o sol continua saindo e se pondo, a lua, em suas quatro fases, tem a mesma brancura, a  imagem do santo é a mesma sobre o cavalo; a onda continua vindo à praia e no mesmo ritmo se estende na areia; os rios, as florestas, o mar no mesmo látego; até o canto das cachoeiras é um monótono e estagnado som de melodia rotineira e cansativa. Quando as coisas estão

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