JNB 309 - 05 de março de 2015

POESIA CRIOULA/GAÚCHO
 
E enquanto houver picanhas e costelas
assando no espeto estarei vida,
que a vida não é ser  material,
é ser quentura de fogo, é ser guarida.
 
E enquanto houver campo, fogo e carne,
cavalo bom, arreios encerados,
estarei por ali nalgum  potreiro,
tangendo o gado xucro nas canhadas.
 
Na mangueira a cuidar o gado bravo,
curar cascos, chifres e bicheiras,
que o boi é boi, mas também as dores sofre
 e o assédio febril das varejeiras.
 
E quando não houver campo e mangueira,
cusco dormindo nas cinzas do borralho,
prendas faceiras cevando o mate amargo
e um trago de canha for proibido,
encilho o pingo,venço o campo, pego estrada
e vou chorar bem longe a despedida.
 
Quando a hora se esconder no horizonte,
minha sombra for passado nas distâncias
e o corpo aderir à terra inteira,
na planura da pampa, nas estâncias,
Serei tição de fogo no braseiro.
 
Página 104 do livro Cenas de um amor azul/2014
 
 *Advogado, Presidente da Academia 
Literária Gaúcha 
Fone (051) 3269.2368
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wwwwjosemoreiradasilva.com
 

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